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	<title>the silent heaver</title>
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	<description>em pratos não tão limpos</description>
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		<title>Prisão</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 15:33:28 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A música transmitia um certo calor; a viola espanhola, o violino, o tempo lento que regia os compassos. Eu não era eu ao queimar daquele fogo. Eu não estava ali para matar nem para morrer. Não queria que o famoso vermelho sequer interagisse comigo, apenas observasse. Mas o que exatamente?
Acordei.
Clássico &#8211; eu pensei. Falta o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=96&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A música transmitia um certo calor; a viola espanhola, o violino, o tempo lento que regia os compassos. Eu não era eu ao queimar daquele fogo. Eu não estava ali para matar nem para morrer. Não queria que o famoso vermelho sequer interagisse comigo, apenas observasse. Mas o que exatamente?<br />
Acordei.</p>
<p>Clássico &#8211; eu pensei. Falta o clássico. Em tudo. Desde o levar e trazer de rosas para as amadas até os roubos de casas e assassinatos.</p>
<p>E começa mais um dia em que minhas inspirações se resumem ao tormento. De uma maneira ou de outra eu sempre quis me extirpar desse mundo, mas algo me faz crer que quando os outros demonstram essa mesma vontade em relação a mim fingindo o contrário, as coisas pioram. Não gostaria eu de morrer no auge de um dia lindo, e sim apodrecer sem que ninguém soubesse, que o meu corpo se decompusesse antes que qualquer um pudesse reconhecer a minha face.<br />
O porão da minha casa tem até bastante luz além da umidade. Vistos de lá os dias sempre são nublados, mas brancos. Cinzas e brancos. Quando vem a neve fina é ideal para pôr os pés fora de lá, afinal eu serei o único ser que o farei. Odeio as pessoas. Todas. Não me excluo. Não excluo as humanidades hipócritas que insistem em se colocar para fora de mim, ou mesmo as que ficam cá dentro, sufocando, suprimindo, matando.<br />
Tenho fome. A comida fria que comerei só à luz também fria desse dia nublado não fará a mínima diferença. E talvez seja esse o clássico da vida real; o clássico querer e não ter, o clássico estar no caminho errado, o clássico viver no meio de solitárias multidões, o clássico querer matar, deixar-se morrer. A clássica prisão.</p>
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		<title>Desvela-te, noiva!</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 03:10:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Viúva dos sonhos em carmim, ela não mais lamentava todas aquelas perdas. Tudo que era vermelho ela deixou se misturar ao sangue, que escorreu todo das veias do tempo. A pele agora lhe era murcha e cheia de cicatrizes. Havia ainda loucuras do passado, mas todas as suas psicoses ardiam sem propósito, como uma chama [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=92&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Viúva dos sonhos em carmim, ela não mais lamentava todas aquelas perdas. Tudo que era vermelho ela deixou se misturar ao sangue, que escorreu todo das veias do tempo. A pele agora lhe era murcha e cheia de cicatrizes. Havia ainda loucuras do passado, mas todas as suas psicoses ardiam sem propósito, como uma chama que se extingue pouco depois de ter sido acesa. Do vermelho ela não conseguia mais distinguir o que era verdade e o que era mentira. Na verdade, não fazia mais a mínima diferença. A página agora está em branco. Não é o branco frio, vazio do passado, apesar de serem essas as condições atuais em que vive. Frio e vazio, mas o coração lhe esquenta seguramente. Ela dorme intranquila à noite, durante o dia os passos sempre descoincidem dos seus outrens, que vagam por outras ruas, outras estradas, longas distâncias. Com olhos perdidos na multidão ou no vão entre suas míseras paredes ela só pensa no amor que lhe foi levado dos olhos. Era de todos o mais correspondido. Viveu tangível e tangente ao seu lado sempre que pôde, mas agora a vida lhe torturava. <em>Tempo e distância são grandezas ridículas comparadas ao meu amor por você!</em> &#8211; dizia ela ao vento, sem nem ter certeza do que poderia de fato ser considerado uma grandeza. Ela enlouquecia mais e mais a cada nota musical das trilhas sonoras de sua solidão.</p>
<p>Pediu a palavra, e esta lhe é concedida.</p>
<p><em>Sinceramente é o que mais me faz feliz nesse caos; o brilhar dos teus olhos verdes que eu tanto sinto falta. Finalmente um amor que eu mereço. Eu sei que volta, mas também sei que ainda vou sofrer por estar longe.<br />
Os medos das pessoas são engraçados, né? Uns têm medo de serem engolidos, outros de não serem. Mas você, gracinha, não entendo qual é o teu medo. Sempre me pergunto como pode alguém depositar tanta confiança em outrem, e o teu medo vem firme em posição de resposta. Toda a sua fragilidade pesa, e eu dissimulo, faço pesar em segundo plano. Meu passado já teve vários tons, eu já aprendi por experiência que as cores se assemelham aos sons, e em meio a tudo isso se perdem as minhas memórias. Tudo se resume a doenças, que são graves por serem agudas, e estão lá. Na interseção, onde uma coisa vira outra, nesse lugar pra onde eu te puxo com força agora e te digo &#8220;fica bem!&#8221;. É daqui que nasce o presente. Sim, estás certa se percebes que me resta a frustração de não ter ido mais fundo nos mares vermelhos em que velejei, mas eu juro, passou. Eles foram bons em me deixar ir. Se volta o vermelho, não é flamejante. É fosco, e você, ora, vida, eu te reconheço! Hoje eu te digo com toda a firmeza e honestidade que cada pulsar do meu coração é por ti. No que concerne o corpo e a alma, o meu mais sincero desejo é fazer-te feliz. Porque eu fui, continuei, sem o azul e sem o vermelho, mas sem você eu não existo.<br />
Eu vou dissimular pra sempre, eu vou fazer a tua mentira virar verdade. Eu vou, sem medo, egoísta que só. Você que se renda, você que se entregue.</em></p>
<p>E fez a festa. Noivou ao sereno de um dia frio e comum, em meio a pessoas desconhecidas, pouco importantes, ridículas. Bebeu do que havia de mais pobre, nem sequer comeu. Música foram as risadas, as palavras declaradas ao vento, e até mesmo o silêncio entre elas. Se entregou aos braços de quem lhe fazia feliz. O anel era dos mais simples anéis de prata, porém o sorriso era dos imensuráveis, jamais visto, precioso. Fez jus às declarações de amor durante trinta dias a fio, agora permanece só, no frio, no vazio, à espera de que o amor e a palavra lhe retornem à posse.</p>
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		<title>Reviravoltas</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 20:28:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>heaver</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Como assim bom?!&#8221;
Não sei. Talvez seja a esperança que me tortura, me engana a ponto de eu achar que foi bom. Agora estou chorando, sim, mas ainda acho que foi bom. Não sei precisar o que se passa na minha cabeça. É uma alegria que é dor. Eu quero resolvê-la sim, mas não tenho criado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=89&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Como assim <em>bom</em>?!&#8221;</p>
<p>Não sei. Talvez seja a esperança que me tortura, me engana a ponto de eu achar que foi bom. Agora estou chorando, sim, mas ainda acho que foi bom. Não sei precisar o que se passa na minha cabeça. É uma alegria que é dor. Eu quero resolvê-la sim, mas não tenho criado oportunidades. Agora estou chorando, sim, como já chorei esta tarde. Reviravoltas mentais, embrulho no estômago, nó na garganta; nada disso me é estranho a essa altura da vida amorosa. Eu que já tive pânico da morte, hoje rezei para que ela me levasse &#8211; sim, mais uma vez, depois de toda essa falsa calmaria. Os meus medos se transformaram todos naquilo que eu desejo, num alívio potencial, que é só o que eu preciso neste momento. Eu olho, eu não sei se eu vejo, eu entendo sem entender. Eu penso no sim, sim, sim. Os pensamentos voam, pra lá, pra cá, num ciclo. A essa altura da vida amorosa, eu já perdi todo e qualquer referencial. E eu digo <strong>volta</strong>.</p>
<p>Escrevi ali pra todos verem quando passarem: volta. Que volta? Me imaginei explicando para aqueles que perguntassem; &#8220;O substantivo, o verbo, tanto faz. A vida se passa em ciclos, né? Em voltas e voltas&#8221;, mas se ela perguntasse, a explicação seria acrescida de um temperozinho, ah, seria sim, com certeza; &#8220;Pensando agora, pode ser o substantivo sim, mas a idéia nasceu como verbo. No imperativo, volta. Volta!&#8221;. Ninguém perguntou nada, essa é a verdade. Mas viram sim, todos viram. Certamente provoquei questionamentos; os estrangeiros foram até seus dicionários, os outros certamente se perguntaram ou já pularam para suas conclusões. Ainda está lá. Se lembrarem dos meus tiques nervosos, é para as conclusões que vão pular.</p>
<p>A volta que ela deu nele, a volta por cima, as voltinhas da sua letra cursiva, a volta que a gente não deu naquele fim de semana, as voltas dos nós de todas as gravatas;</p>
<p>Volta. Revira. Revira e sempre volta. Sempre volta. Palavras o vento leva? Ah, ingênuos! Repetem essas besteiras por aí, dizem que tudo passa&#8230; mal sabem eles que tudo vai voltar. E vai voltar com o vento, que levou. O vento traz de volta. E revira. E volta. O tempo nunca curou nada. O tempo só revira, e assim as coisas voltam, sem tempo, a torto e a direito.</p>
<p>Você sumiu. A essa altura da vida amorosa eu não devia me preocupar. A essa altura do texto seria muito ingênuo de minha parte pensar qualquer coisa além de: <strong>revira</strong>.</p>
<p>Penso e tenho certeza que elas acontecem na sua cabeça também. As fotos que eu tirei se revelando numa página de livro, as mãos de outrem passeando pelo teu corpo e roubando as sensações que eu te causava, as músicas se repetindo, os lugares, os olhares. Penso, tenho certeza que eu volto em você. Eu te reviro, como o vento levando as folhas no fim da tarde.</p>
<p>Eu&#8230; faria de tudo pra te dizer não, mas eu volto.</p>
<p><span style="color:#ff99cc;"><em>(começado em 10/03/09 e terminado hoje, só por terminar)</em></span></p>
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		<title>Um salto, um sobressalto</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 01:30:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A marca no pescoço era de outrem. Os beijos, os carinhos, o corpo. Era tudo muito bom, era como se do completo e absoluto repente todos os problemas se lhe esvaíssem da consciência e ela ficasse em paz. O colorido já não vibrava mais na frequência do vermelho; era tudo mais claro, mais leve e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=85&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A marca no pescoço era de outrem. Os beijos, os carinhos, o corpo. Era tudo muito bom, era como se do completo e absoluto repente todos os problemas se lhe esvaíssem da consciência e ela ficasse em paz. O colorido já não vibrava mais na frequência do vermelho; era tudo mais claro, mais leve e mais pacífico, mas de fato, paz ali não havia nenhuma. Medos, um turbilhão de medos. Medos brancos, medos lindos, alguns doces, outros amargos. E as certezas? Será que elas existem mesmo ou sou só eu inventando? E se eu puder inventar pra sempre? E se certezas não importarem nada? Eu quero é saber das vontades! Quero mais é que elas se concretizem! Eu sinto tudo em sintonia, os beijos, as mãos, os dizeres, a reciprocidade, mas também sinto esses medos; eles estão pairando no ar e ora! não deixam de estar em mim também. Talvez seja a parte mais horrível da nossa história toda, admitir que temo tudo o que temo.Nunca tive grandes problemas em me atirar no sentimento, mas isso não exclui o medo, que por sua vez não deixa de gerar lágrimas. Mas pára! Eu me digo em voz alta <em>Pára!</em> Não pensa que é pior. Vive, vive sem se importar pois tudo isso é uma grande confusão; Se eu penso, eu penso em medo, eu penso no que um dia foi vermelho, no que foi palco e desculpa pra eu me escancarar pra quem importa, penso e não entendo nada, não entendo o que aconteceu, não entendo as pedras que o novo põe no velho, não entendo o que está acontecendo. Aí eu abstraio, procuro viver. E na minha mente só restam as mãos, os beijos, os sussurros&#8230;</p>
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		<title>Salivando&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 07:10:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>heaver</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um bilhete que dizia que estava melhor, imune, segura de si. Eu ri, mas eu ri, porque era de fato a melhor coisa que poderia ter me aparecido aos olhos. Foi por um acaso &#8211; um acaso forçado sim, mas um acaso, afinal eu nunca podia prever o que econtraria na caixinha de surpresas dela. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=82&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Um bilhete que dizia que estava melhor, imune, segura de si. Eu ri, mas eu ri, porque era de fato a melhor coisa que poderia ter me aparecido aos olhos. Foi por um acaso &#8211; um acaso forçado sim, mas um acaso, afinal eu nunca podia prever o que econtraria na caixinha de surpresas dela. Mas foi nesse acaso ocasionado por mim que eu encontrei a prova de que eu sou a insegurança dela. Agora que fui embora ela se sente recomposta e segura. A mim ela não sai ilesa. Eu sou o elemento que faz ela perder o controle, é a minha autenticidade que faz ela virar poeira. E toda a nossa história se resume em embasbacamento, perda de sentidos, tentativa de retomar o controle. Já ouvi isso de alguns, fato, já ouvi &#8220;<em>é só mais uma tentativa dela de retomar o controle</em>&#8221; &#8211; não me importava ao ponto de fazer análises, mas agora, com esse bilhetinho torpe, fato, parei e analisei. E ri, como os loucos doentes &#8211; como ela mesmo me chama aos sete ventos! Como será que ela ficaria me vendo rir doentia e sabiamente disso tudo? Com que intensidade será que os olhos dela flamejariam ao ver que nos meus cadernos os adjetivos são bem mais cruéis, e por ser assim, mais de acordo com a realidade? Qual seria a careta que o gosto da realidade provocaria no belo rostinho dela?</p>
<p>O que era pra ser amargo na minha boca acaba tendo o gosto mais doce e agradável que eu poderia esperar de você, minha cara. Entendo a necessidade de você se afirmar com um tapa na minha cara, mas isso só me prova o quão ridícula e indefesa você é. Eu gosto de você mesmo assim, suaria por horas com você na cama, ainda teria o desplante de sussurrar aos teus ouvidos &#8220;<em>te amo, linda</em>&#8220;, e te levaria ao êxtase para sempre sem questionar nada, sem questionar as tuas imbecilidades, as tuas infantilidades, o teu orgulho idiota e limitante, a tua máscara, a tua vontade de aparecer. Você é ridícula e imprestável &#8211; a não ser no sexo, de fato. Inclusive, por que não estás na minha cama agora? Me parece a única maneira com a qual podemos nos aproveitar &#8211; no sexo e nas conversas e cigarros depois dele. Você sai ganhando, afinal eu tenho muito mais a te acrescentar, minha bela. Ainda brindar com teu suor e teu sangue; teu prazer, meu prazer. Eu adoro a dor desses seus tapas de auto-afirmação. Eu vou rir de você até o fim da minha vida, eu vou rir até você acabar com a sua. Sim, tenho uma mente louca e olhos deveras doentes, porque apesar de tudo isso, ainda enxergo enorme beleza e potencial nessa sua sujeirada toda.</p>
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		<title>De mais um dia ensolarado</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 22:29:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>heaver</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A garrafa ainda está aqui, pela metade. Água, sim. Eu não estava com a mínima sede.
Fui, como se não me restasse nada mais na vida, como se fosse a salvação. &#8220;Vou comprar água&#8221;. Fui. Não olhei para ela até que estivesse com a garrafa na mão e o troco no bolso. Forcei uma cara de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=80&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A garrafa ainda está aqui, pela metade. Água, sim. Eu não estava com a mínima sede.<br />
Fui, como se não me restasse nada mais na vida, como se fosse a salvação. &#8220;Vou comprar água&#8221;. Fui. Não olhei para ela até que estivesse com a garrafa na mão e o troco no bolso. Forcei uma cara de surpresa (que não sei se ficou tão óbvia graças aos óculos escuros &#8211; coisa que acabei achando boa) e ela um oi; certamente estava me espreitando com o olhar há algum tempo, porque os olhos de uma pessoa que está escrevendo não podem estar de prontidão dessa maneira. Sim, ela estava escrevendo. Atividade que lhe cai bem, eu só tiraria os óculos escuros, ficaria ainda melhor. Então éramos dois pares de óculos escuros lá pelo meio dia, uma hora da tarde. O clima agradável talvez tenha contribuído para a minha abordagem, também meio agradabilóide. São coisas desse tipo que me fazem detestar a luz do sol. Por que tem que brilhar assim? Nós vestimos nossos óculos escuros e eis a nossa proteção. <em>Que venha o social!</em> &#8211; Ora, que atitude débil.<br />
Foi bom não terem cadeiras disponíveis. Permaneci de pé. Pude ver alguns movimentos dos olhos dela pra lá e pra cá por cima dos óculos, foi um bom ângulo. E eu já estava praticamente me afogando naqueles goles desnecessários, nervosos, sufocantes. Eu tinha pingos de repulsa por ela, mas tenho certeza de que não me demoraria muito se resolvesse inventar algum outro tipo de sede por ali &#8211; a sede por aqueles lábios. Não era um dia para derramamento de sangue, era um dia ensolarado e a única maneira de fazê-lo render seria esquecer do sol. E como se esquece do sol, minha gente? Só matando essas sedes&#8230;<br />
Os lábios dela são carnudos, me lembro bem de como era bom demorar neles. Eu beberia galões de água para tê-los outra vez se demorando nos meus. É uma verdade ridícula, mas não deixa de ser verdade. E doentia. Mas o homem é um compêndio de doenças e eu não vejo motivo em esconder as minhas.<br />
Eu via um resquício de felicidade transbordar dela, e isso me causava todo o bem e o mal que algo pode causar a alguém. Era bom me ter ali? Será que só eu sentia aquela sensação de incompletude, de coisas fora do lugar?<br />
Tudo isso é muito difícil de esclarecer num dia de tanto sol. Preciso agir num dia negro, nublado, fechado ao extremo. Eu não teria desculpas para ir comprar água, mas o ímpeto seria o mesmo. Ela não teria porque vestir os tais óculos escuros, e mesmo que estivesse com as olheiras mais fundas, seria ridículo. Ela ia ficar elegante com roupas de frio, escrever ia lhe cair bem melhor, e se houvesse chuva&#8230; ela ia poder lembrar dos nossos momentos despedida-na-chuva.</p>
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		<title>Psicose I</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Apr 2009 22:15:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>heaver</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Teve delírios &#8211; disse o médico a dois amigos que acabavam de chegar. &#8211; Passou a noite delirando, só dormiu de vez lá pelas quatro.
Era como se nada que fosse dito pudesse dar cabo da dúvida transbordante no olhar dos recém chegados. O mais alto, depois de algum tempo de silêncio, finalmente se recompôs [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=76&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>- Teve delírios &#8211; disse o médico a dois amigos que acabavam de chegar. &#8211; Passou a noite delirando, só dormiu de vez lá pelas quatro.</p>
<p>Era como se nada que fosse dito pudesse dar cabo da dúvida transbordante no olhar dos recém chegados. O mais alto, depois de algum tempo de silêncio, finalmente se recompôs a ponto de fazer uma pergunta.</p>
<p>- Que tipo de delírios?</p>
<p>- Balbuciou coisas ininteligíveis, falou de homens importantes da história&#8230; e sangue. &#8211; a dúvida preencheu o olhar do médico ao pronunciar essa última parte.</p>
<p>- Sangue?</p>
<p>- Sangue&#8230;</p>
<p>- Que sangue? Sangue de quem? &#8211; falava agora com certa impaciência o rapaz alto.</p>
<p>O médico não sabia como responder, afinal era sangue, ora, como &#8216;que sangue&#8217;? Eram só coisas de uma pessoa doidivana, por que eles dariam tanta importância a devaneios? Mas ele ficava nervoso ao perceber que ele mesmo estava se questionando, ele também queria saber, ele também estremeceu ao ouvir longos discursos sobre sangue durante a noite. Estava certo de que não era só sangue em geral; tinha dono, ou dona.</p>
<p>- Mas afinal, qual é o diagnóstico? &#8211; perguntou o mais baixo, que havia se mantido em silêncio e dúvida até então.</p>
<p>- Febre. Febre das mais altas. Justifica os delírios. As causas podem ter sido diversas, é difícil dizer quando não se tem meios para avaliar&#8230; &#8211; disse isso e saiu, quase como quem quer evitar mais perguntas incômodas. Deixou os dois no quarto.</p>
<p>Eu ouvia tudo em silêncio, fingia dormir, não queria encarar ninguém. O máximo de tolerância era a parede rachada na minha frente. Era bom fixar o olhar na rachadura e me ausentar do mundo, tentando descobrir por que é que a parede estaria rachada bem ali. O prédio certamente já havia se movido muito, era uma construção bem antiga. Será que a qualquer momento tudo podia desabar? Quem estaria em casa no momento da queda? Quem chamaria socorro? Alguém sobreviveria?</p>
<p>- Ao menos parece bem agora.</p>
<p>- É bom que durma bastante.</p>
<p>A conversinha dos meus amigos preocupados me enchia de raiva. Eu queria estar só. Por um instante pensei em levantar aos gritos, &#8220;Fora! Fora! Deixem-me só! Saiam!&#8221;, mas o impulso perpassou rápido demais e eu não me ative a ele enquanto pude. Tudo que eu queria era que eles calassem a boca, se pusessem porta a fora. Queria pegar o meu caderno no fundo do armário e anotar &#8220;beautiful words, lady&#8221; e deixar que o resto viesse à minha mente. &#8220;How about acting on them?&#8221; parecia uma boa continuação. Faltava raiva, faltava uma lâmina bem afiada acariciando aquela pele. Faltava sangue! Faltava o sangue!</p>
<p>Será que eu tinha tido delírios mesmo? Seria isso agora o delírio voltando, se apossando de mim?</p>
<p>- É melhor que vocês esperem aqui fora, pode ser que demore a acordar &#8211; disse o médico colocando a cabeça para dentro do quarto. &#8211; Vamos, venham. Vou lhes servir um chá.</p>
<p>Foram.</p>
<p>Era delírio, era delírio isso agora. Porque quando eu ia dormir, ora, eu queria tanto abraçar alguém! Eu ia dormir, eu mudava de opinião. A raiva ia embora, eu queria ela nos meus braços sim, era só o que eu queria. Mas era delírio, era eu delirando novamente! Cheguei a desejar encontrá-la à beira da morte no meio da rua, para que eu pudesse tomar conta dela, salvá-la, carregá-la, tê-la em meus braços mais uma vez. Eu queria ela morrendo. Pensei em morrer eu, mas não tenho certeza de que ela faria algo por mim. Era melhor que ela estivesse desfalecendo. Cheguei a confabular com o lado sujo da minha moral como seria o jeito ideal de fazer tudo aquilo virar verdade, mas aí eu já estava quase acordando, dormindo, acordando outra vez. E quando a luz do sol invadia o quarto, eu colocava os pés no chão, a raiva voltava. A vontade de sumir, voltar com lâminas, arrancar sangue. Seria bonito, estético, colocar o &#8220;FIM&#8221; em grandes letras de sangue naquela parede onde deixávamos bilhetinhos.   Ri.</p>
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		<title>O nada que eu já não sei o que é</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 14:04:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[E de súbito uma frieza &#8211; como que a frieza dos assassinos &#8211; me surpreendeu. Era como se voltasse tudo ao nada. Era como se eu olhasse e nenhuma palpitação me viesse ao peito, nenhum calor, nenhum frio. Nada.
Uma sensação deveras surpreendente depois de tudo que tem se mostrado, tudo que tem se escancarado no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=72&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>E de súbito uma frieza &#8211; como que a frieza dos assassinos &#8211; me surpreendeu. Era como se voltasse tudo ao nada. Era como se eu olhasse e nenhuma palpitação me viesse ao peito, nenhum calor, nenhum frio. Nada.<br />
Uma sensação deveras surpreendente depois de tudo que tem se mostrado, tudo que tem se escancarado no meu rosto, no fundo dos meus olhos; mas confesso que já não é a primeira vez que se volta ao vazio. Já aconteceu no meio de julho passado &#8211; sim, julho! O mês que não me falha em trazer novidades. Nada tão forte quanto nesses últimos dias &#8211; sim, porque isso de agora já tem me durado alguns dias, mas uma inércia estranha. Agora ela se repete mais forte, vira vontade de ficar inerte, falta de ímpeto para sair da inércia ou mais! Um protótipo de ímpeto de virar as costas e fixar o olhar em algum defeito da parede, alguma lasca no chão, alguma mancha de tinta, qualquer coisa; qualquer coisa pra me distrair desse nada. Por que não ir embora? Tomar o caminho da rua. Passar sem que ninguém me aviste, sair pela porta afora, me enfiar no meio dos transeuntes, descansar ao som dos músicos de rua, andar sem rumo.<br />
Não comparo essa frieza à frieza dos assassinos à toa. Agora, não sei se o que me açoita é a morte ou é o crime; <em>Morreu? Ou será que obliterei com minhas próprias forças?</em></p>
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		<title>Ciclo básico</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 19:15:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Abril, a neve já devia estar derretendo, mas os flocos finos quase invisíveis ainda grudam no meu casaco preto quando saio na rua. Há dias em que o sol brilha sim; eu aproveito&#8230; até me lembrar que não gosto de sol. Não, não assim. Por mais que seja fraco ainda queima. O melhor sol é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=70&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Abril, a neve já devia estar derretendo, mas os flocos finos quase invisíveis ainda grudam no meu casaco preto quando saio na rua. Há dias em que o sol brilha sim; eu aproveito&#8230; até me lembrar que não gosto de sol. Não, não assim. Por mais que seja fraco ainda queima. O melhor sol é aquele que brilha quando estamos entretidos demais para perceber que ele está lá. Sendo assim eu rezo para que os flocos de neve engrossem. Consigo sorrir ao chegar em casa e sentir os inúmeros pontos gelados por minhas roupas, cabelo e rosto.</p>
<p>Mas é abril, a neve vai cessar de cair. A neve vai começar a derreter, e nossas calçadas tomarão aquele aspecto repugnante que todos detestam. Até que o maldito sol derreta tudo.</p>
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		<title>Naquele Momento ou Às Moscas</title>
		<link>http://heaver.wordpress.com/2009/04/07/naquele-momento-ou-as-moscas/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2009 19:59:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>heaver</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redness]]></category>

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		<description><![CDATA[Sentei ao pé da escada, passavam pessoas e pessoas e rápido e rápido. Moscas ao meu redor &#8211; estava do lado da lata de lixo. Ri com ironia, um riso curto, e pus-me a ler Dostoiévski. O trânsito de pessoas era um estímulo para minha concentração; o que as moscas atrapalhavam era desfeito pelo desprezo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=heaver.wordpress.com&blog=3917752&post=68&subd=heaver&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Sentei ao pé da escada, passavam pessoas e pessoas e rápido e rápido. Moscas ao meu redor &#8211; estava do lado da lata de lixo. Ri com ironia, um riso curto, e pus-me a ler Dostoiévski. O trânsito de pessoas era um estímulo para minha concentração; o que as moscas atrapalhavam era desfeito pelo desprezo dos passantes. Não sei quantos me lançaram algum olhar, mas o desprezo era sentível, mesmo meus olhos não desgrudando do livro. A situação toda era uma ironia &#8211; eu, abaixo dos homens, em meio às moscas, lendo notas que retratavam praticamente uma vida inteira vivida assim. Eu ria de vez em quando, eu ria disso&#8230; Não era engraçado, eu ria de raiva. A raiva em forma de riso já não era novidade para mim. Eu ri de raiva das companhias dela &#8211; que sabem muito bem quem sou e nem sequer me olham nos olhos! Eu ri, e com aquele mesmo riso podia matar alguém. Mas a verdade é que naquele momento não consegui matar nenhuma mosca sequer. Eu virava a página, eu dava outro tapa no ar, eu ria. De repente o coração me pulou até a boca, e me dei conta que o canto dos olhos tinham a avistado. Tremi &#8211; como se não bastasse comecei a tremer! Uma pilha de nervos, ao pé da escada, do lado da lixeira, cercada de moscas. Era bem o que eu era naquele momento, era só o que eu era naquele momento. Ela, que fora sempre tão visível aos meus olhos, tinha se perdido. Eu não podia olhar, não era certo abandonar meu Dostoiévski por um milisegundo de prazer. Ela estava sumindo, e tomei outro susto ao perceber que estava a poucos metros de mim. Conversava, as companhias ignóbeis &#8211; não me importa do que falavam&#8230; e a verdade é que qualquer companhia seria ignóbil naquele momento. Era assustador de fato! Eu sempre a via, sempre! Tive dificuldade de a distinguir&#8230; era muito assustador. Demoramos assim &#8211; eu no susto, ela na trela &#8211; por longos minutos. Eu ainda tremia e me odiava por isso. Passados mais alguns minutos, senti que ela se aproximava. Me recusei a levantar os olhos do livro até que sua mão se estendeu a mim num cumprimento&#8230; ordinário! Eu a detestei por isso, fechei a cara; minha expressão não foi nada amigável, eu senti. Tentei mudar, mas desisti. Respondi às perguntas mais ordinárias com esforço &#8211; era penoso ter que encarar perguntas que ela perguntaria a qualquer imbecil. Tudo bem, naquele momento eu estava lá no meio das moscas. Será que ela consegue entender que eu me recuso a assumir esse papel de ser ordinário? Raiva, risos, moscas, chão. Ela não entende nada, ela diz que entende, ela não sabe de nada. Ela não faz esforço algum para nada. Só Deus sabe o quanto odeio a posição ordinária. Raiva. Ela insiste nisso, e me dá raiva &#8211; não dela, mas de não poder realizar meus desejos. No dia anterior, por exemplo, tive plena convicção de que o melhor a ser feito era lhe dar um abraço. Eu ia lá e ia abraçá-la, ponto. Era o que falava com força dentro de mim, até o dado momento &#8211; esse maldito momento, de estar ao pé de uma escada fria, às moscas. O momento em que somos transformados num nada. Esse maldito momento, que há de se repetir, eu sei &#8211; a gente sempre sabe, ele há de se repetir enquanto nenhuma bomba explodir. Ela foi, subiu a escada. Fiz o que me restava &#8211; estapeei o ar, sem acertar sequer uma mosca.</p>
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