Archive for the Yet unsorted Category

Prisão

Posted in Yet unsorted on October 27, 2009 by heaver

A música transmitia um certo calor; a viola espanhola, o violino, o tempo lento que regia os compassos. Eu não era eu ao queimar daquele fogo. Eu não estava ali para matar nem para morrer. Não queria que o famoso vermelho sequer interagisse comigo, apenas observasse. Mas o que exatamente?
Acordei.

Clássico – eu pensei. Falta o clássico. Em tudo. Desde o levar e trazer de rosas para as amadas até os roubos de casas e assassinatos.

E começa mais um dia em que minhas inspirações se resumem ao tormento. De uma maneira ou de outra eu sempre quis me extirpar desse mundo, mas algo me faz crer que quando os outros demonstram essa mesma vontade em relação a mim fingindo o contrário, as coisas pioram. Não gostaria eu de morrer no auge de um dia lindo, e sim apodrecer sem que ninguém soubesse, que o meu corpo se decompusesse antes que qualquer um pudesse reconhecer a minha face.
O porão da minha casa tem até bastante luz além da umidade. Vistos de lá os dias sempre são nublados, mas brancos. Cinzas e brancos. Quando vem a neve fina é ideal para pôr os pés fora de lá, afinal eu serei o único ser que o farei. Odeio as pessoas. Todas. Não me excluo. Não excluo as humanidades hipócritas que insistem em se colocar para fora de mim, ou mesmo as que ficam cá dentro, sufocando, suprimindo, matando.
Tenho fome. A comida fria que comerei só à luz também fria desse dia nublado não fará a mínima diferença. E talvez seja esse o clássico da vida real; o clássico querer e não ter, o clássico estar no caminho errado, o clássico viver no meio de solitárias multidões, o clássico querer matar, deixar-se morrer. A clássica prisão.

Um salto, um sobressalto

Posted in Golden Mirror, Yet unsorted on June 13, 2009 by heaver

A marca no pescoço era de outrem. Os beijos, os carinhos, o corpo. Era tudo muito bom, era como se do completo e absoluto repente todos os problemas se lhe esvaíssem da consciência e ela ficasse em paz. O colorido já não vibrava mais na frequência do vermelho; era tudo mais claro, mais leve e mais pacífico, mas de fato, paz ali não havia nenhuma. Medos, um turbilhão de medos. Medos brancos, medos lindos, alguns doces, outros amargos. E as certezas? Será que elas existem mesmo ou sou só eu inventando? E se eu puder inventar pra sempre? E se certezas não importarem nada? Eu quero é saber das vontades! Quero mais é que elas se concretizem! Eu sinto tudo em sintonia, os beijos, as mãos, os dizeres, a reciprocidade, mas também sinto esses medos; eles estão pairando no ar e ora! não deixam de estar em mim também. Talvez seja a parte mais horrível da nossa história toda, admitir que temo tudo o que temo.Nunca tive grandes problemas em me atirar no sentimento, mas isso não exclui o medo, que por sua vez não deixa de gerar lágrimas. Mas pára! Eu me digo em voz alta Pára! Não pensa que é pior. Vive, vive sem se importar pois tudo isso é uma grande confusão; Se eu penso, eu penso em medo, eu penso no que um dia foi vermelho, no que foi palco e desculpa pra eu me escancarar pra quem importa, penso e não entendo nada, não entendo o que aconteceu, não entendo as pedras que o novo põe no velho, não entendo o que está acontecendo. Aí eu abstraio, procuro viver. E na minha mente só restam as mãos, os beijos, os sussurros…

Salivando…

Posted in Redness, Yet unsorted on May 26, 2009 by heaver

Um bilhete que dizia que estava melhor, imune, segura de si. Eu ri, mas eu ri, porque era de fato a melhor coisa que poderia ter me aparecido aos olhos. Foi por um acaso – um acaso forçado sim, mas um acaso, afinal eu nunca podia prever o que econtraria na caixinha de surpresas dela. Mas foi nesse acaso ocasionado por mim que eu encontrei a prova de que eu sou a insegurança dela. Agora que fui embora ela se sente recomposta e segura. A mim ela não sai ilesa. Eu sou o elemento que faz ela perder o controle, é a minha autenticidade que faz ela virar poeira. E toda a nossa história se resume em embasbacamento, perda de sentidos, tentativa de retomar o controle. Já ouvi isso de alguns, fato, já ouvi “é só mais uma tentativa dela de retomar o controle” – não me importava ao ponto de fazer análises, mas agora, com esse bilhetinho torpe, fato, parei e analisei. E ri, como os loucos doentes – como ela mesmo me chama aos sete ventos! Como será que ela ficaria me vendo rir doentia e sabiamente disso tudo? Com que intensidade será que os olhos dela flamejariam ao ver que nos meus cadernos os adjetivos são bem mais cruéis, e por ser assim, mais de acordo com a realidade? Qual seria a careta que o gosto da realidade provocaria no belo rostinho dela?

O que era pra ser amargo na minha boca acaba tendo o gosto mais doce e agradável que eu poderia esperar de você, minha cara. Entendo a necessidade de você se afirmar com um tapa na minha cara, mas isso só me prova o quão ridícula e indefesa você é. Eu gosto de você mesmo assim, suaria por horas com você na cama, ainda teria o desplante de sussurrar aos teus ouvidos “te amo, linda“, e te levaria ao êxtase para sempre sem questionar nada, sem questionar as tuas imbecilidades, as tuas infantilidades, o teu orgulho idiota e limitante, a tua máscara, a tua vontade de aparecer. Você é ridícula e imprestável – a não ser no sexo, de fato. Inclusive, por que não estás na minha cama agora? Me parece a única maneira com a qual podemos nos aproveitar – no sexo e nas conversas e cigarros depois dele. Você sai ganhando, afinal eu tenho muito mais a te acrescentar, minha bela. Ainda brindar com teu suor e teu sangue; teu prazer, meu prazer. Eu adoro a dor desses seus tapas de auto-afirmação. Eu vou rir de você até o fim da minha vida, eu vou rir até você acabar com a sua. Sim, tenho uma mente louca e olhos deveras doentes, porque apesar de tudo isso, ainda enxergo enorme beleza e potencial nessa sua sujeirada toda.

Psicose I

Posted in Golden Mirror, Redness, Yet unsorted on April 21, 2009 by heaver

- Teve delírios – disse o médico a dois amigos que acabavam de chegar. – Passou a noite delirando, só dormiu de vez lá pelas quatro.

Era como se nada que fosse dito pudesse dar cabo da dúvida transbordante no olhar dos recém chegados. O mais alto, depois de algum tempo de silêncio, finalmente se recompôs a ponto de fazer uma pergunta.

- Que tipo de delírios?

- Balbuciou coisas ininteligíveis, falou de homens importantes da história… e sangue. – a dúvida preencheu o olhar do médico ao pronunciar essa última parte.

- Sangue?

- Sangue…

- Que sangue? Sangue de quem? – falava agora com certa impaciência o rapaz alto.

O médico não sabia como responder, afinal era sangue, ora, como ‘que sangue’? Eram só coisas de uma pessoa doidivana, por que eles dariam tanta importância a devaneios? Mas ele ficava nervoso ao perceber que ele mesmo estava se questionando, ele também queria saber, ele também estremeceu ao ouvir longos discursos sobre sangue durante a noite. Estava certo de que não era só sangue em geral; tinha dono, ou dona.

- Mas afinal, qual é o diagnóstico? – perguntou o mais baixo, que havia se mantido em silêncio e dúvida até então.

- Febre. Febre das mais altas. Justifica os delírios. As causas podem ter sido diversas, é difícil dizer quando não se tem meios para avaliar… – disse isso e saiu, quase como quem quer evitar mais perguntas incômodas. Deixou os dois no quarto.

Eu ouvia tudo em silêncio, fingia dormir, não queria encarar ninguém. O máximo de tolerância era a parede rachada na minha frente. Era bom fixar o olhar na rachadura e me ausentar do mundo, tentando descobrir por que é que a parede estaria rachada bem ali. O prédio certamente já havia se movido muito, era uma construção bem antiga. Será que a qualquer momento tudo podia desabar? Quem estaria em casa no momento da queda? Quem chamaria socorro? Alguém sobreviveria?

- Ao menos parece bem agora.

- É bom que durma bastante.

A conversinha dos meus amigos preocupados me enchia de raiva. Eu queria estar só. Por um instante pensei em levantar aos gritos, “Fora! Fora! Deixem-me só! Saiam!”, mas o impulso perpassou rápido demais e eu não me ative a ele enquanto pude. Tudo que eu queria era que eles calassem a boca, se pusessem porta a fora. Queria pegar o meu caderno no fundo do armário e anotar “beautiful words, lady” e deixar que o resto viesse à minha mente. “How about acting on them?” parecia uma boa continuação. Faltava raiva, faltava uma lâmina bem afiada acariciando aquela pele. Faltava sangue! Faltava o sangue!

Será que eu tinha tido delírios mesmo? Seria isso agora o delírio voltando, se apossando de mim?

- É melhor que vocês esperem aqui fora, pode ser que demore a acordar – disse o médico colocando a cabeça para dentro do quarto. – Vamos, venham. Vou lhes servir um chá.

Foram.

Era delírio, era delírio isso agora. Porque quando eu ia dormir, ora, eu queria tanto abraçar alguém! Eu ia dormir, eu mudava de opinião. A raiva ia embora, eu queria ela nos meus braços sim, era só o que eu queria. Mas era delírio, era eu delirando novamente! Cheguei a desejar encontrá-la à beira da morte no meio da rua, para que eu pudesse tomar conta dela, salvá-la, carregá-la, tê-la em meus braços mais uma vez. Eu queria ela morrendo. Pensei em morrer eu, mas não tenho certeza de que ela faria algo por mim. Era melhor que ela estivesse desfalecendo. Cheguei a confabular com o lado sujo da minha moral como seria o jeito ideal de fazer tudo aquilo virar verdade, mas aí eu já estava quase acordando, dormindo, acordando outra vez. E quando a luz do sol invadia o quarto, eu colocava os pés no chão, a raiva voltava. A vontade de sumir, voltar com lâminas, arrancar sangue. Seria bonito, estético, colocar o “FIM” em grandes letras de sangue naquela parede onde deixávamos bilhetinhos.  Ri.

O nada que eu já não sei o que é

Posted in Redness, Yet unsorted on April 18, 2009 by heaver

E de súbito uma frieza – como que a frieza dos assassinos – me surpreendeu. Era como se voltasse tudo ao nada. Era como se eu olhasse e nenhuma palpitação me viesse ao peito, nenhum calor, nenhum frio. Nada.
Uma sensação deveras surpreendente depois de tudo que tem se mostrado, tudo que tem se escancarado no meu rosto, no fundo dos meus olhos; mas confesso que já não é a primeira vez que se volta ao vazio. Já aconteceu no meio de julho passado – sim, julho! O mês que não me falha em trazer novidades. Nada tão forte quanto nesses últimos dias – sim, porque isso de agora já tem me durado alguns dias, mas uma inércia estranha. Agora ela se repete mais forte, vira vontade de ficar inerte, falta de ímpeto para sair da inércia ou mais! Um protótipo de ímpeto de virar as costas e fixar o olhar em algum defeito da parede, alguma lasca no chão, alguma mancha de tinta, qualquer coisa; qualquer coisa pra me distrair desse nada. Por que não ir embora? Tomar o caminho da rua. Passar sem que ninguém me aviste, sair pela porta afora, me enfiar no meio dos transeuntes, descansar ao som dos músicos de rua, andar sem rumo.
Não comparo essa frieza à frieza dos assassinos à toa. Agora, não sei se o que me açoita é a morte ou é o crime; Morreu? Ou será que obliterei com minhas próprias forças?

Ciclo básico

Posted in Redness, Yet unsorted on April 14, 2009 by heaver

Abril, a neve já devia estar derretendo, mas os flocos finos quase invisíveis ainda grudam no meu casaco preto quando saio na rua. Há dias em que o sol brilha sim; eu aproveito… até me lembrar que não gosto de sol. Não, não assim. Por mais que seja fraco ainda queima. O melhor sol é aquele que brilha quando estamos entretidos demais para perceber que ele está lá. Sendo assim eu rezo para que os flocos de neve engrossem. Consigo sorrir ao chegar em casa e sentir os inúmeros pontos gelados por minhas roupas, cabelo e rosto.

Mas é abril, a neve vai cessar de cair. A neve vai começar a derreter, e nossas calçadas tomarão aquele aspecto repugnante que todos detestam. Até que o maldito sol derreta tudo.

Escuras

Posted in Yet unsorted on March 25, 2009 by heaver

Não consigo ler. Larguei meu marcador de páginas no meio do capítulo – coisa que detesto fazer – mas não podia continuar. Seria até uma falta com Dostoiévski. As palavras passavam como a estrada em alta velocidade diante dos meus olhos, e pela minha mente ecoavam os gritos de raiva que não saíram pela garganta. Se sairão ou não, depende do que esses olhares ao redor farão comigo. Posso surtar, matar todos, matar um ou dois, posso apenas gritar.  Posso simplesmente olhar e esperar sem saber ao certo o que estou fazendo. Posso deixar que continue essa amarga invasão de pensamentos obscuros, sede de vingança ou de garganta seca mesmo, fome de paixão, saudade, e vontades. Vontades diversas. Sons que giram me envolvendo, o preto e o vermelho se misturando, fazendo o amargo ficar doce – eu quero mais, eu quero melhor. É tudo um só. É tudo uma tensão só. É tudo uma vontade, diversa, só. Não consigo escrever.

Posted in Redness, Yet unsorted on September 30, 2008 by heaver

Não vejo graça em ser, se estar não é ao seu lado. Me dei conta disso hoje, quando dirigia de volta pra casa, enquanto as mais pesadas das lágrimas escorriam dos meus olhos, pelo simples fato de você não estar mais naquele carro comigo. E me perguntava “Por que é que você está chorando, meu deus?!”, e a resposta eram mais lágrimas. Escorriam lentamente, eu tentava fazê-las parar, não adiantava. Vim chorando durante todo o caminho. Ainda me perguntava o porquê de estar chorando, “ora, estamos felizes, nos gostamos, estamos dando muito certo”… ou é um severo desequilíbrio meu, ou a felicidade acarreta lágrimas.
Saudades de ontem à noite, você em meus braços, eu nos teus – éramos um só. Dois corpos formando uma unidade, a ponto de eu não saber dizer se o coração que eu sentia bater ali no meio era meu ou era seu. Saudades de quando minhas mãos deslizavam por entre as suas pernas, tímidas, corajosas. Saudades da tua pele macia acolhendo as minhas mãos fervorosas. Mãos que nunca vão se cansar de você, dedos que nunca deixarão de passear por entre os seus cabelos, seus seios e curvas, planícies e abismos.
E só pra você eu falo coisas de todos os tipos, sem medo, sem vergonha. E tenho certeza que nós vamos fazer o melhor sexo! O melhor café da manhã e a melhor morte. A melhor história de vida, a melhor trilha sonora. Quero ouvir os seus suspiros, quero me molhar.
E por que é que eu estava chorando, então?

Porque é uma merda, realmente, saber que sempre existe algo mais a ser dito, e sabe-se lá por que não deixá-lo sair de uma vez! Aí a gente enche, sente demais, na pele, na carne, até que explode. Tive vontade de me render às lágrimas, mas estas se renderam a mim num momento de “Peraí, porra!

Arranca esse nó da tua garganta e não deixa ela se enroscar de novo. Grita quando for pra gritar; por acaso já se arrependeu por isso antes? Não, né? Eu sei que não. Não vale a pena se afogar em lágrimas. Se é pra morrer, que morra de orgasmo, overdose… Morra se acabando, se jogando. Por ela não é suficiente. Por ela, mas com ela.

É, linda. Você também deixou seu perfume no meu travesseiro. Deixou seu gosto na minha boca, seu prendedor de cabelo no meu punho, seu calor meio molhado nos meus dedos. Se deixou, se perdeu em mim. Achei graça quando me dei conta de que estava lendo mentalmente meus próprios textos com a sua voz. É você intensamente na minha idéia, é você por inteiro. É abdicar de mim pra sentir você primeiro.

Eu rastejo sim. Rastejo e sei que é bom. Não digo necessário sempre, mas sim, necessário, sempre. Muitos me julgam, põe à frente de qualquer coisa o orgulho, me rotulam idiota. Mas eu continuo rastejando e me deleitando, pois só quem rasteja tem ângulos privilegiados de sua musa. Digo, ver por debaixo dos panos mesmo. E ao bom rastejante sempre é dada uma promoção: ela vai te elevar, te botar no céu. E a amplitude pela qual você já se aventurou te dá liberdade de se colocar na posição ‘olho no olho’ nas horas sérias, em qualquer hora.

Ora, eu rastejo sim. Não só porque ela é o que é, mas porque eu mereço o melhor que a educação no chão pode me proporcionar. Nós vamos fazer o melhor sexo! A nossa história vai vingar. Somos um, somos dois. Somos um de dois. Um derramamento de idéias, sentimentos, sensações… ou líquidos mesmo. Um derrame, uma alucinação. Uma gota d’água, de sangue, um impulso. Um pulso, um estalo, um ai!, um orgasmo.

Inércia

Posted in Golden Mirror, Yet unsorted on September 6, 2008 by heaver

Espera por uma, espera por outra. Espera. Até onde a paciência é uma virtude?
Conta os méritos, ensina lições, se faz ouvir. Espera a uma, esperando outra. Faz, finalmente; mas depois espera mais um pouco. Duas, três horinhas. Espera que ela já vem. Mas a esperante dormiu, e agora resta esperar as longas horas de sono. Os esperados viram os esperantes, mas todos se esperam, independente da posição.
Já esperou demais, faz agora!
E quando tudo indica que não há nada mais a se esperar, fica cada uma no seu canto, esperando a outra tomar atitude.
“Ela vai se cansar de esperar por você” “Mas ora! Será que ela não pensa que eu também posso me cansar de esperar por ela?”
Espera só mais um pouquinho.
Espera, que já já eu termino de escrever….

De ralos e despedidas

Posted in Yet unsorted on July 16, 2008 by heaver

E eu me imaginei me despedindo dela… agora, quem era ela? Uma figura sem rosto, uma das minhas lindas, talvez; ou uma das que virão. O fato é que eu dizia “está passando”, e em tom triste, porque despedidas são por natureza tristes. Por mais que ela fosse me considerar depois, por mais que o vínculo continuasse como amizade tenra e forte, por mais que eu fosse encontrar outra mais linda ainda no meu caminho, por mais que isso fosse a saída de uma prisão; despedidas são tristes. É o amor escorrendo ralo abaixo em letras vermelhas de sangue; não tem como não doer, não chocar; não tem como ser somente uma despedida.
Ou será que tem?
As minhas experiências, ou inexperiências, me mandam calar a boca, não suscitar o questionamento, em respeito ao sangue que já escorreu. Ficamos no silêncio dos mortos. Não que eu ache que todos os mortos mereçam silêncio ou respeito. Mas, por agora, entro em consonância com essa voz que manda calar. Calemos. Vejamos. Sintamos.

Eu não quero continuar imaginando a nossa despedida. Não quero sequer saber de quem é que estou me despedindo nesse pensamento ingrato, marcado de derrotas. Não quero ver, não quero nada. Que minhas inexperiências se calem da mesma forma como fiz há pouco, não se transformem em inseguranças, não fechem as portas – ou as janelas – pelas quais minhas experiências gostam de ventilar. Que faça-se vento à consciência! Vento, ares, ares novos! Dá até ânimo pra limpar mancha de sangue…

Ah, mas o sangue pode ser tão bem aproveitado antes de tomar o rumo decadente do ralo, isso pode!