Archive for the Blueness Category

Entrelaços

Posted in Blueness, Redness on December 26, 2008 by heaver

Elas brigam inconscientemente. Elas lutam por um mesmo espaço, numa folha de caderno. Será que elas se dão essa importância conscientemente? Não gosto de subestimar as pessoas, mas suponho que doses de fraqueza tomem conta delas com freqüência demais pra isso. Pois são umas ridículas. Um dia vou deixar isso bem claro – elas deviam e sempre deverão se dar a importância. Vou deixar claro sim, mas para qual delas? Para as duas? Com que intensidade? Quando?

Ridículos às vezes me parecem esses pensamentos que tomam a minha cabeça. (Talvez sem nexo algum para um par de olhos castanhos, ou até mesmo verdes, enfim estranhos, que estejam lendo.) Como acabo de escrever lá na mesma folha em que elas brigam sem saber – às vezes as coisas mais importântes me parecem idiotas.

Elas se odeiam. Elas mal sabem disso.

Gap

Posted in Blueness, Redness on December 11, 2008 by heaver

I hoped one of them would say ‘hi’. At first I could say I was expecting at least one of them, or both, to do so, but the truth is that I was hoping. As you can imagine, none did. It’s almost like they have an agreement between themselves. They didn’t say a single word all day. One vanished quickly, for my torture. And the one who remained just ended up torturing even more, silently. They’re specialists, both of them.
I don’t have much to say.
We’re all white again, in need of some contrast, saturation. I’d love colors, but right now… Right now I’m learning to enjoy my black & white moments.

Vozes

Posted in Blueness on November 20, 2008 by heaver

E nada morreu, absolutamente! Nem de um lado, nem do outro. As coisas dormem, ficam dormindo – eu bem queria que este sono durasse mais e mais -  mas chega um momento em que a voz…

A voz não cabe mais dentro dela. A garganta, as cordas vocais, todos os obstáculos esfalfados, arranhados, doloridos; nada mais importa pra ela. Ela berra. Não se importa com os vizinhos, danem-se eles! Nada mais importa, só aquela voz… que não se aguenta mais em lugar algum, não quer aconchego nenhum que não os ouvidos da outra.  Os ouvidos e o coração. A pulsação, o sangue, os cabelos, o suor. A outra por inteiro. Vai comê-la viva, sem piedade. Fodam-se os outros no caminho!
Solta essa vagabundinha que deu pra andar de mãos dadas com você. Você é minha. Só minha. Essas mãos são minhas, o seu suor é meu. Agora eu grito sim, grito, não tenho mais vergonha, nem dúvida. Já cansei de me enganar. É você mesmo que eu quero. Não quero ele, não quero ela. Quero você, a sua voz sussurando nos meus ouvidos aquele bando de elogios que você ousava me escrever. Quero os teus dentes mordiscando a minha pele sem parar. Quero você sem nada. Quero você, porque você ousou conseguir esse espaço dentro de mim. Teve a audácia de tomar a minha cabeça por meses, anos, sempre. Você, pequenina desse jeito, inocente desse jeito, cega desse jeito. Ainda é a pessoa mais… mais… não dá, não funciona com palavras.  E que ninguém ouse encostar em você. Essa vagabundinha, tira ela da sua vida. Aquele outro, também não deixa chegar perto. Não se mete com nada, com ninguém mais além de mim. Te amo.

A gota d’água

Posted in Blueness on September 13, 2008 by heaver

Passado coisíssima nenhuma. Não passou, estava apenas dormindo. Ali quietinho, na miúda, sem fazer barulho. Barulho na verdade ainda não fez, mas digamos que acordou. Abriu os olhos, levantou a cabeça, mas o que de fato importa é a luz que sai dos olhos, que apesar de ser discreta e branca, se mostra firme marcando presença. E digo mais: é muito bom tê-la presente.
Foi de repente, numa troca de palavras, eu quebrei por um segundo. Foi num piscar de olhos, no qual não foram os olhos que piscaram, mas sim o meu equilíbrio, minha estabilidade, meu interior. Foi nesse choque que eu acordei: passado coisíssima nenhuma. Veio de dentro, olhei o mundo aqui fora, vi estranhos, fiquei sem entender quem era quem. Ah, é tão bom quebrar. Já me colei de novo, mas a cicatriz é bela. Uma rachadura, uma opção. Eu tinha medo de nunca mais quebrar.

Quando ‘facas’ e ‘palavras’ são sinônimos.

Posted in Blueness on September 7, 2008 by heaver

Dói sim, mas não é bonito ver o sangue saindo ao passar da faca pela pele branca? A beleza das coisas, a melhor anestesia, o que leva a mente doentia a por suas idéias em prática.
Eu não queria que doesse, mesmo a dor não sendo minha, não desejo dor aos outros. Mas eu queria sim que o espetáculo fosse o mais bonito, mesmo que só fosse ser visto pelos meus olhos.
Queria pedir desculpas, mas não! não mesmo. Não fiz nada de errado. Falei. A quem dói passo a responsabilidade de fazer minhas palavras perderem o fio.

É, cuidado pra não se viciar nessa arte de pintar com sangue…

O nada que é tudo

Posted in Blueness, Redness on July 12, 2008 by heaver

E tem horas que a gente olha pra elas e não sente aqueles frios, calores, dores. Simplesmente não vem.
A tela em branco também não convida a nada. Os dedos batucam, cansam, dormem. Tentei me render às outras artes, mas fiquei em branco, no frio, na luz fria.
Tentei olhar pra elas de novo, pras duas criaturas. Uma diferente da outra, ambas lindas. Em uma vi convite, na outra vi repulsa, mas agora já não consigo distinguir em quem vi o que. Uma igualzinha à outra.
Mas está tudo tão branco hoje, e é difícil começar do zero. Talvez seja este o ponto em que as pessoas se perdem. Esquecem que o branco não é nada menos que a mistura de todas as cores – ou pelo menos foi isso que me disseram quando eu era criança; tenho certeza que já ouviste o mesmo. Verdade ou não, não importa. Se eu quiser que seja verdade, pronto, é. Nada mais natural e humano do que gostar de ser ludibriado. Ludíbrio ou não, passemos a encarar o branco como um mafuá de cores. Está tudo aí, diante dos meus olhos, tão misturado que eu não sei quem convida e quem repele.
Olhei pras duas de novo. Não passam da mesma coisa, talvez o mesmo pedaço de massa, um mais harmonioso do que o outro, e eu não sei qual é qual. Dentes amarelados de nicotina – até o mesmo cigarro elas fumam! – sendo que uma espera pra morder, a outra costuma já ir mordendo de cara. Mas os papéis continuam se invertendo, e eu, já cansada de dizer – não sei quem é quem. Confidente, amiga, amante, amor da vida. Tintas da mesma marca. Podíamos fazer obras de arte, mas hoje estamos em silêncio.
- Ora, não me venha falar em silêncio, agora! Não era de tinta que estava falando?!
Era, sim. Mas o que eu gosto é do interlúdio, de onde uma coisa vira outra, de onde minha voz é pincel encharcado de tinta. Porque eu seguro com os olhos, vejo com os ouvidos, mas com a boca… ah, eu mordo, mesmo. Mordo, mancho, arranco gritos. Gosto disso, das fronteiras que não são fronteiras, do embaçado tipo sonho, em que um sentido responde por outro.

Será que elas merecem que eu corra atrás delas e olhe mais uma vez?
Não, não, espera um pouco. A pergunta não devia ser essa. Aliás não devia nem haver pergunta. Respira fundo e tenta outra vez. Asas à reflexão, vamos lá.
Elas são tinta, não são? É com elas que se faz arte. Arranca elas do mafuá branco, joga elas lá de novo, com força, com carinho, como lhe for conveniente. Alma de artista quem tem é você. Alma, corpo… olhos, mãos, dedos! E tudo isso se suja na hora de criar. Vá lá, se prepara, porque pra gente que cria, não é novidade que há muito mais transpiração do que inspiração nesse processo.

Ridículas, as duas. Amáveis.

Hole digger

Posted in Blueness on July 7, 2008 by heaver

From the one who’s far beyond and deep in; deep down.

She asked in a subtle hopeful voice, I answered ‘no’ so calmly and softly that I might have inspired some hope. Hope is what I have, that’s for sure.
Hope to hope it’ll all someday come back and we’ll finally give in to it, both of us. No need for torpifyers. Just the two of us, pure, soft, calm and truthful.
But it’s all wild for now.
Months ago, the strongest thing I had ever felt. Right now, I just don’t know.
She seems to know better, or at least her words shine brighter. She’s brave after all. Probably learning from the loss, the torpifying distance, the little accident-on-purpose paper cuts I caused on her.
I’m sorry but you’re just too good. You’re too good and you’re true.
Definitely somebody to talk to, a good listener, a different perspective, a source of good advice. And I’m stabbing my own back when I stab her. It’s my tears she’s crying.
I’ve been drinking from the reddest venom, it’s pouring from my lips. My crime, my punishment. Her punishment as well. Is this what I can share?
Unconsciously trying to fake my coldness, I might have given her the taste of the most painful hope. Is this addiction? It moves within myself, almost like it’s gotta be done again. She’s too good and she’s true.
She might have been crying in that laughter, consciously trying to fake sadness. It’s her tears I’m crying.

Denying.


My world, I dig a hole in you. But if you’re my world, you’re my hole. The deeper I come through, the deeper I’m in you. I’m sorry that I hurt, I’m sorry that I tempt. But it’s just beyond and deeper; I’ll love you again.