Archive for July, 2009

Reviravoltas

Posted in Redness on July 26, 2009 by heaver

“Como assim bom?!”

Não sei. Talvez seja a esperança que me tortura, me engana a ponto de eu achar que foi bom. Agora estou chorando, sim, mas ainda acho que foi bom. Não sei precisar o que se passa na minha cabeça. É uma alegria que é dor. Eu quero resolvê-la sim, mas não tenho criado oportunidades. Agora estou chorando, sim, como já chorei esta tarde. Reviravoltas mentais, embrulho no estômago, nó na garganta; nada disso me é estranho a essa altura da vida amorosa. Eu que já tive pânico da morte, hoje rezei para que ela me levasse – sim, mais uma vez, depois de toda essa falsa calmaria. Os meus medos se transformaram todos naquilo que eu desejo, num alívio potencial, que é só o que eu preciso neste momento. Eu olho, eu não sei se eu vejo, eu entendo sem entender. Eu penso no sim, sim, sim. Os pensamentos voam, pra lá, pra cá, num ciclo. A essa altura da vida amorosa, eu já perdi todo e qualquer referencial. E eu digo volta.

Escrevi ali pra todos verem quando passarem: volta. Que volta? Me imaginei explicando para aqueles que perguntassem; “O substantivo, o verbo, tanto faz. A vida se passa em ciclos, né? Em voltas e voltas”, mas se ela perguntasse, a explicação seria acrescida de um temperozinho, ah, seria sim, com certeza; “Pensando agora, pode ser o substantivo sim, mas a idéia nasceu como verbo. No imperativo, volta. Volta!”. Ninguém perguntou nada, essa é a verdade. Mas viram sim, todos viram. Certamente provoquei questionamentos; os estrangeiros foram até seus dicionários, os outros certamente se perguntaram ou já pularam para suas conclusões. Ainda está lá. Se lembrarem dos meus tiques nervosos, é para as conclusões que vão pular.

A volta que ela deu nele, a volta por cima, as voltinhas da sua letra cursiva, a volta que a gente não deu naquele fim de semana, as voltas dos nós de todas as gravatas;

Volta. Revira. Revira e sempre volta. Sempre volta. Palavras o vento leva? Ah, ingênuos! Repetem essas besteiras por aí, dizem que tudo passa… mal sabem eles que tudo vai voltar. E vai voltar com o vento, que levou. O vento traz de volta. E revira. E volta. O tempo nunca curou nada. O tempo só revira, e assim as coisas voltam, sem tempo, a torto e a direito.

Você sumiu. A essa altura da vida amorosa eu não devia me preocupar. A essa altura do texto seria muito ingênuo de minha parte pensar qualquer coisa além de: revira.

Penso e tenho certeza que elas acontecem na sua cabeça também. As fotos que eu tirei se revelando numa página de livro, as mãos de outrem passeando pelo teu corpo e roubando as sensações que eu te causava, as músicas se repetindo, os lugares, os olhares. Penso, tenho certeza que eu volto em você. Eu te reviro, como o vento levando as folhas no fim da tarde.

Eu… faria de tudo pra te dizer não, mas eu volto.

(começado em 10/03/09 e terminado hoje, só por terminar)