Um salto, um sobressalto
A marca no pescoço era de outrem. Os beijos, os carinhos, o corpo. Era tudo muito bom, era como se do completo e absoluto repente todos os problemas se lhe esvaíssem da consciência e ela ficasse em paz. O colorido já não vibrava mais na frequência do vermelho; era tudo mais claro, mais leve e mais pacífico, mas de fato, paz ali não havia nenhuma. Medos, um turbilhão de medos. Medos brancos, medos lindos, alguns doces, outros amargos. E as certezas? Será que elas existem mesmo ou sou só eu inventando? E se eu puder inventar pra sempre? E se certezas não importarem nada? Eu quero é saber das vontades! Quero mais é que elas se concretizem! Eu sinto tudo em sintonia, os beijos, as mãos, os dizeres, a reciprocidade, mas também sinto esses medos; eles estão pairando no ar e ora! não deixam de estar em mim também. Talvez seja a parte mais horrível da nossa história toda, admitir que temo tudo o que temo.Nunca tive grandes problemas em me atirar no sentimento, mas isso não exclui o medo, que por sua vez não deixa de gerar lágrimas. Mas pára! Eu me digo em voz alta Pára! Não pensa que é pior. Vive, vive sem se importar pois tudo isso é uma grande confusão; Se eu penso, eu penso em medo, eu penso no que um dia foi vermelho, no que foi palco e desculpa pra eu me escancarar pra quem importa, penso e não entendo nada, não entendo o que aconteceu, não entendo as pedras que o novo põe no velho, não entendo o que está acontecendo. Aí eu abstraio, procuro viver. E na minha mente só restam as mãos, os beijos, os sussurros…