Um bilhete que dizia que estava melhor, imune, segura de si. Eu ri, mas eu ri, porque era de fato a melhor coisa que poderia ter me aparecido aos olhos. Foi por um acaso – um acaso forçado sim, mas um acaso, afinal eu nunca podia prever o que econtraria na caixinha de surpresas dela. Mas foi nesse acaso ocasionado por mim que eu encontrei a prova de que eu sou a insegurança dela. Agora que fui embora ela se sente recomposta e segura. A mim ela não sai ilesa. Eu sou o elemento que faz ela perder o controle, é a minha autenticidade que faz ela virar poeira. E toda a nossa história se resume em embasbacamento, perda de sentidos, tentativa de retomar o controle. Já ouvi isso de alguns, fato, já ouvi “é só mais uma tentativa dela de retomar o controle” – não me importava ao ponto de fazer análises, mas agora, com esse bilhetinho torpe, fato, parei e analisei. E ri, como os loucos doentes – como ela mesmo me chama aos sete ventos! Como será que ela ficaria me vendo rir doentia e sabiamente disso tudo? Com que intensidade será que os olhos dela flamejariam ao ver que nos meus cadernos os adjetivos são bem mais cruéis, e por ser assim, mais de acordo com a realidade? Qual seria a careta que o gosto da realidade provocaria no belo rostinho dela?
O que era pra ser amargo na minha boca acaba tendo o gosto mais doce e agradável que eu poderia esperar de você, minha cara. Entendo a necessidade de você se afirmar com um tapa na minha cara, mas isso só me prova o quão ridícula e indefesa você é. Eu gosto de você mesmo assim, suaria por horas com você na cama, ainda teria o desplante de sussurrar aos teus ouvidos “te amo, linda“, e te levaria ao êxtase para sempre sem questionar nada, sem questionar as tuas imbecilidades, as tuas infantilidades, o teu orgulho idiota e limitante, a tua máscara, a tua vontade de aparecer. Você é ridícula e imprestável – a não ser no sexo, de fato. Inclusive, por que não estás na minha cama agora? Me parece a única maneira com a qual podemos nos aproveitar – no sexo e nas conversas e cigarros depois dele. Você sai ganhando, afinal eu tenho muito mais a te acrescentar, minha bela. Ainda brindar com teu suor e teu sangue; teu prazer, meu prazer. Eu adoro a dor desses seus tapas de auto-afirmação. Eu vou rir de você até o fim da minha vida, eu vou rir até você acabar com a sua. Sim, tenho uma mente louca e olhos deveras doentes, porque apesar de tudo isso, ainda enxergo enorme beleza e potencial nessa sua sujeirada toda.

