O nada que eu já não sei o que é
E de súbito uma frieza – como que a frieza dos assassinos – me surpreendeu. Era como se voltasse tudo ao nada. Era como se eu olhasse e nenhuma palpitação me viesse ao peito, nenhum calor, nenhum frio. Nada.
Uma sensação deveras surpreendente depois de tudo que tem se mostrado, tudo que tem se escancarado no meu rosto, no fundo dos meus olhos; mas confesso que já não é a primeira vez que se volta ao vazio. Já aconteceu no meio de julho passado – sim, julho! O mês que não me falha em trazer novidades. Nada tão forte quanto nesses últimos dias – sim, porque isso de agora já tem me durado alguns dias, mas uma inércia estranha. Agora ela se repete mais forte, vira vontade de ficar inerte, falta de ímpeto para sair da inércia ou mais! Um protótipo de ímpeto de virar as costas e fixar o olhar em algum defeito da parede, alguma lasca no chão, alguma mancha de tinta, qualquer coisa; qualquer coisa pra me distrair desse nada. Por que não ir embora? Tomar o caminho da rua. Passar sem que ninguém me aviste, sair pela porta afora, me enfiar no meio dos transeuntes, descansar ao som dos músicos de rua, andar sem rumo.
Não comparo essa frieza à frieza dos assassinos à toa. Agora, não sei se o que me açoita é a morte ou é o crime; Morreu? Ou será que obliterei com minhas próprias forças?