“Sangremos juntas!”

Devia ser ódio ou algo parecido. Talvez amor, não se sabe ao certo. Mas alguma coisa de fato fazia as duas se revelarem das mesmas cores, e a um só tempo. Em silêncio absoluto, distantes; porém em uma sintonia sem igual. Nem se sabe se elas próprias sabem. Ora, mas é claro que sabem! Uma delas de vez em quando dá um grito “sangremos juntas, então!“, e a outra compreende muito bem – sente muito bem. Uma vez até ousou descer do salto, confessar as próprias dores, mostrar as feridas, mas acabou correndo. É esse o tipo de coisa que incomoda a nós, os mais vividos. Se elas soubessem o quanto elas merecem se entregar… se elas soubessem o que é que faz tudo sair tão igual, tão vívido, tão…
Sangremos juntas!” – outra súplica que se perde na saída da garganta, outra noite que se passa sem gosto, sem sentido.
Sangrem juntas sim, antes que o sangue escorra-lhes todo ralo abaixo. Sangrem e não se iludam com o fechar das feridas – o que está escrito em cicatrizes não vai embora. Sangrem juntas e sem medo, afinal o sangue é o que a vida lhes tem a oferecer de bom.

Leave a Reply