Archive for February, 2009

“Sangremos juntas!”

Posted in Golden Mirror, Redness on February 24, 2009 by heaver

Devia ser ódio ou algo parecido. Talvez amor, não se sabe ao certo. Mas alguma coisa de fato fazia as duas se revelarem das mesmas cores, e a um só tempo. Em silêncio absoluto, distantes; porém em uma sintonia sem igual. Nem se sabe se elas próprias sabem. Ora, mas é claro que sabem! Uma delas de vez em quando dá um grito “sangremos juntas, então!“, e a outra compreende muito bem – sente muito bem. Uma vez até ousou descer do salto, confessar as próprias dores, mostrar as feridas, mas acabou correndo. É esse o tipo de coisa que incomoda a nós, os mais vividos. Se elas soubessem o quanto elas merecem se entregar… se elas soubessem o que é que faz tudo sair tão igual, tão vívido, tão…
Sangremos juntas!” – outra súplica que se perde na saída da garganta, outra noite que se passa sem gosto, sem sentido.
Sangrem juntas sim, antes que o sangue escorra-lhes todo ralo abaixo. Sangrem e não se iludam com o fechar das feridas – o que está escrito em cicatrizes não vai embora. Sangrem juntas e sem medo, afinal o sangue é o que a vida lhes tem a oferecer de bom.

Mais uma gota

Posted in Redness on February 7, 2009 by heaver

Ainda é vermelho. Mesmo eu tendo visto as gotas pingando incessantemente, me deixando num cinza. Doeu até agora e dói ainda hoje. E a realidade fora dos meus pensamentos continua jogando na minha cara o quanto o vermelho ainda se faz presente por aqui. Nas rosas, nas fotografias, no meio das minhas pernas… pingando e escorrendo, retratando aquela dor e as outras que não se fizeram retratar de maneira alguma. Dores físicas que compensam as psicológicas, mas dane-se, danem-se as dores! Estou aqui agora – ela nem sonha – porque ouvi os gritos abafados dela. Abafados como o tempo, como o que foi o nosso meio, como o que é o nosso meio hoje, o dela e o meu, sem ser o nosso. Eu sei, eu sei o que está acontecendo! Eu queria dizer em vermelho pra ela que eu a ouvi. Eu queria sacodí-la desse transe de loucura e desespero, queria ser o vermelho que conforta, ou aquele que ela foi pra mim um dia. Foi? Ainda é. E é difícil de acreditar que deixe de ser um dia. Eu preciso desse vermelho. Ela precisa desse vermelho. Eu quero ser esse vermelho; o vermelho que batiza todo um tesouro, o vermelho que é extravagante, mas a gente se acostuma, e o costume… ah, o que o costume nos faz. Eu tive minha existência estragada pelo costume. Eu tive meus impulsos esparramados em vermelho, vermelho este que o costume se encarregou de me prover. Eu tenho, agora, essas lágrimas, mais vermelhas do que nunca, com medo de se esvaírem, de desbotarem para o cinza. Eu quero atrocidades em vermelho. Eternas, por mais que a eternidade me pareça assustadora. Eu quero meu vermelho em tom forte, vívido, de modo que essas lágrimas não consigam diluí-lo. Lágrimas já choradas, choradas outra vez – eu não sei se voltamos ao passado na alegria ou na tristeza. Saúde eu desperdiço; doença, isso é doença. Por todos os dias da minha vida.