Archive for December, 2008

Entrelaços

Posted in Blueness, Redness on December 26, 2008 by heaver

Elas brigam inconscientemente. Elas lutam por um mesmo espaço, numa folha de caderno. Será que elas se dão essa importância conscientemente? Não gosto de subestimar as pessoas, mas suponho que doses de fraqueza tomem conta delas com freqüência demais pra isso. Pois são umas ridículas. Um dia vou deixar isso bem claro – elas deviam e sempre deverão se dar a importância. Vou deixar claro sim, mas para qual delas? Para as duas? Com que intensidade? Quando?

Ridículos às vezes me parecem esses pensamentos que tomam a minha cabeça. (Talvez sem nexo algum para um par de olhos castanhos, ou até mesmo verdes, enfim estranhos, que estejam lendo.) Como acabo de escrever lá na mesma folha em que elas brigam sem saber – às vezes as coisas mais importântes me parecem idiotas.

Elas se odeiam. Elas mal sabem disso.

Reticências da noite

Posted in Golden Mirror on December 17, 2008 by heaver

Eis mais uma força que acorda. Ou que simplesmente não foi dormir. Mas é como se tivesse acordado, mesmo. É, acordou. É ela, a boa e velha, ela mesma. Acordou depois de muito tempo, está com aquela cara de sono ainda, e é de se imaginar que a voz seja aquela de quando a gente fala a primeira palavra depois de um bom sono. Voz. Acordou, e parece que se perde às vezes, mas essas vezes são tão pequenas e curtas, que ela nem precisa se dar o trabalho de se achar.
Como é bom, ela pensa, como é bom não fazer sentido algum. Sair assim loucamente botando pra fora tudo o que passa por dentro, com essa forma sem forma. Isso desse jeito bem seu, que determina esse conteúdo mais seu ainda.
Como é bom embalar o sono dos outros com pensamentos, desenhos, textos, loucuras, medos, vontades. Como é bom se perder numa frase.

Ser reticente para o mundo aí fora, essa é a especialidade dela. Mas aqui, na bagunça de pensamentos, nada é reticente… ou tudo… ou as reticências sempre conduzem a algum lugar mais alto. Alto? Depende do ponto de vista – e é aí que ela, mais uma vez, demonstra sua sapiência. É perspectivada, não veicula nada por si só. E voa… voa por continentes ou simplesmente bairros. Voa da cadeira até a cama. Voa e pousa sobre o travesseiro. Abraça um, abraça outro – é difícil ser o mesmo, porque ela continua voando. Perspectivada que só. Louca que só. Reticente que só.

Gap

Posted in Blueness, Redness on December 11, 2008 by heaver

I hoped one of them would say ‘hi’. At first I could say I was expecting at least one of them, or both, to do so, but the truth is that I was hoping. As you can imagine, none did. It’s almost like they have an agreement between themselves. They didn’t say a single word all day. One vanished quickly, for my torture. And the one who remained just ended up torturing even more, silently. They’re specialists, both of them.
I don’t have much to say.
We’re all white again, in need of some contrast, saturation. I’d love colors, but right now… Right now I’m learning to enjoy my black & white moments.