Archive for November, 2008

Vozes

Posted in Blueness on November 20, 2008 by heaver

E nada morreu, absolutamente! Nem de um lado, nem do outro. As coisas dormem, ficam dormindo – eu bem queria que este sono durasse mais e mais -  mas chega um momento em que a voz…

A voz não cabe mais dentro dela. A garganta, as cordas vocais, todos os obstáculos esfalfados, arranhados, doloridos; nada mais importa pra ela. Ela berra. Não se importa com os vizinhos, danem-se eles! Nada mais importa, só aquela voz… que não se aguenta mais em lugar algum, não quer aconchego nenhum que não os ouvidos da outra.  Os ouvidos e o coração. A pulsação, o sangue, os cabelos, o suor. A outra por inteiro. Vai comê-la viva, sem piedade. Fodam-se os outros no caminho!
Solta essa vagabundinha que deu pra andar de mãos dadas com você. Você é minha. Só minha. Essas mãos são minhas, o seu suor é meu. Agora eu grito sim, grito, não tenho mais vergonha, nem dúvida. Já cansei de me enganar. É você mesmo que eu quero. Não quero ele, não quero ela. Quero você, a sua voz sussurando nos meus ouvidos aquele bando de elogios que você ousava me escrever. Quero os teus dentes mordiscando a minha pele sem parar. Quero você sem nada. Quero você, porque você ousou conseguir esse espaço dentro de mim. Teve a audácia de tomar a minha cabeça por meses, anos, sempre. Você, pequenina desse jeito, inocente desse jeito, cega desse jeito. Ainda é a pessoa mais… mais… não dá, não funciona com palavras.  E que ninguém ouse encostar em você. Essa vagabundinha, tira ela da sua vida. Aquele outro, também não deixa chegar perto. Não se mete com nada, com ninguém mais além de mim. Te amo.