Archive for September, 2008

Posted in Redness, Yet unsorted on September 30, 2008 by heaver

Não vejo graça em ser, se estar não é ao seu lado. Me dei conta disso hoje, quando dirigia de volta pra casa, enquanto as mais pesadas das lágrimas escorriam dos meus olhos, pelo simples fato de você não estar mais naquele carro comigo. E me perguntava “Por que é que você está chorando, meu deus?!”, e a resposta eram mais lágrimas. Escorriam lentamente, eu tentava fazê-las parar, não adiantava. Vim chorando durante todo o caminho. Ainda me perguntava o porquê de estar chorando, “ora, estamos felizes, nos gostamos, estamos dando muito certo”… ou é um severo desequilíbrio meu, ou a felicidade acarreta lágrimas.
Saudades de ontem à noite, você em meus braços, eu nos teus – éramos um só. Dois corpos formando uma unidade, a ponto de eu não saber dizer se o coração que eu sentia bater ali no meio era meu ou era seu. Saudades de quando minhas mãos deslizavam por entre as suas pernas, tímidas, corajosas. Saudades da tua pele macia acolhendo as minhas mãos fervorosas. Mãos que nunca vão se cansar de você, dedos que nunca deixarão de passear por entre os seus cabelos, seus seios e curvas, planícies e abismos.
E só pra você eu falo coisas de todos os tipos, sem medo, sem vergonha. E tenho certeza que nós vamos fazer o melhor sexo! O melhor café da manhã e a melhor morte. A melhor história de vida, a melhor trilha sonora. Quero ouvir os seus suspiros, quero me molhar.
E por que é que eu estava chorando, então?

Porque é uma merda, realmente, saber que sempre existe algo mais a ser dito, e sabe-se lá por que não deixá-lo sair de uma vez! Aí a gente enche, sente demais, na pele, na carne, até que explode. Tive vontade de me render às lágrimas, mas estas se renderam a mim num momento de “Peraí, porra!

Arranca esse nó da tua garganta e não deixa ela se enroscar de novo. Grita quando for pra gritar; por acaso já se arrependeu por isso antes? Não, né? Eu sei que não. Não vale a pena se afogar em lágrimas. Se é pra morrer, que morra de orgasmo, overdose… Morra se acabando, se jogando. Por ela não é suficiente. Por ela, mas com ela.

É, linda. Você também deixou seu perfume no meu travesseiro. Deixou seu gosto na minha boca, seu prendedor de cabelo no meu punho, seu calor meio molhado nos meus dedos. Se deixou, se perdeu em mim. Achei graça quando me dei conta de que estava lendo mentalmente meus próprios textos com a sua voz. É você intensamente na minha idéia, é você por inteiro. É abdicar de mim pra sentir você primeiro.

Eu rastejo sim. Rastejo e sei que é bom. Não digo necessário sempre, mas sim, necessário, sempre. Muitos me julgam, põe à frente de qualquer coisa o orgulho, me rotulam idiota. Mas eu continuo rastejando e me deleitando, pois só quem rasteja tem ângulos privilegiados de sua musa. Digo, ver por debaixo dos panos mesmo. E ao bom rastejante sempre é dada uma promoção: ela vai te elevar, te botar no céu. E a amplitude pela qual você já se aventurou te dá liberdade de se colocar na posição ‘olho no olho’ nas horas sérias, em qualquer hora.

Ora, eu rastejo sim. Não só porque ela é o que é, mas porque eu mereço o melhor que a educação no chão pode me proporcionar. Nós vamos fazer o melhor sexo! A nossa história vai vingar. Somos um, somos dois. Somos um de dois. Um derramamento de idéias, sentimentos, sensações… ou líquidos mesmo. Um derrame, uma alucinação. Uma gota d’água, de sangue, um impulso. Um pulso, um estalo, um ai!, um orgasmo.

Daylight punishments

Posted in Golden Mirror, Redness on September 25, 2008 by heaver

From where I was, nobody could tell if they were having sex or if it was just violence. Two souls in the most criminal motion there could be. Her silky skin would hit the bars of their cell so strongly; but from where I was nobody could hear a sound. It also wasn’t clear who was punishing who. Two souls in harmonic disharmony. You’d understand it… if you could only feel it… you’d do the same. You’d fall for the same beauty, you’d swallow the same words, blood, bloody words. It made my cigarette taste awful. It made my world take unexpected turns. It moved something within me.
The cold winds of night licked their aggressiveness, but it didn’t make a difference. Those were long lasting daylight punishments.

Por entre as palavras dela.

Posted in Redness on September 20, 2008 by heaver

Formas femininas, fumaça de café, figuras – por entre as palavras dela se formavam. E quanto mais o meu olhar se perdia, meu coração se achava… ou não, nada disso, mais ele gostava de estar perdido. Por entre as palavras dela. Meus olhos desfocados, meus lábios secos, meu rosto pálido, meu ser ávido. Ela. Eu. Agora. Ela e eu, um mesmo sintagma, sem vírgulas, sem obstáculos. Do que vem de fora a gente ri, faz piada, poesia. Por entre as palavras dela eu passeio, dou asas ao devaneio, que dá certo, que é real. Por entre as palavras dela, gritos, risos tímidos, inocentes; Questionamentos, amor latente. Eu, que já tanto reclamei por entre as palavras dela, não me arrependo; agora eu compreendo. Eu e ela, mesmo focalizando o meu olhar; sou feliz, porque fora de foco ou não, continuamos eu e ela. E que as minhas palavras pra sempre passeiem por entre as palavras dela.

A gota d’água

Posted in Blueness on September 13, 2008 by heaver

Passado coisíssima nenhuma. Não passou, estava apenas dormindo. Ali quietinho, na miúda, sem fazer barulho. Barulho na verdade ainda não fez, mas digamos que acordou. Abriu os olhos, levantou a cabeça, mas o que de fato importa é a luz que sai dos olhos, que apesar de ser discreta e branca, se mostra firme marcando presença. E digo mais: é muito bom tê-la presente.
Foi de repente, numa troca de palavras, eu quebrei por um segundo. Foi num piscar de olhos, no qual não foram os olhos que piscaram, mas sim o meu equilíbrio, minha estabilidade, meu interior. Foi nesse choque que eu acordei: passado coisíssima nenhuma. Veio de dentro, olhei o mundo aqui fora, vi estranhos, fiquei sem entender quem era quem. Ah, é tão bom quebrar. Já me colei de novo, mas a cicatriz é bela. Uma rachadura, uma opção. Eu tinha medo de nunca mais quebrar.

Quando ‘facas’ e ‘palavras’ são sinônimos.

Posted in Blueness on September 7, 2008 by heaver

Dói sim, mas não é bonito ver o sangue saindo ao passar da faca pela pele branca? A beleza das coisas, a melhor anestesia, o que leva a mente doentia a por suas idéias em prática.
Eu não queria que doesse, mesmo a dor não sendo minha, não desejo dor aos outros. Mas eu queria sim que o espetáculo fosse o mais bonito, mesmo que só fosse ser visto pelos meus olhos.
Queria pedir desculpas, mas não! não mesmo. Não fiz nada de errado. Falei. A quem dói passo a responsabilidade de fazer minhas palavras perderem o fio.

É, cuidado pra não se viciar nessa arte de pintar com sangue…

Inércia

Posted in Golden Mirror, Yet unsorted on September 6, 2008 by heaver

Espera por uma, espera por outra. Espera. Até onde a paciência é uma virtude?
Conta os méritos, ensina lições, se faz ouvir. Espera a uma, esperando outra. Faz, finalmente; mas depois espera mais um pouco. Duas, três horinhas. Espera que ela já vem. Mas a esperante dormiu, e agora resta esperar as longas horas de sono. Os esperados viram os esperantes, mas todos se esperam, independente da posição.
Já esperou demais, faz agora!
E quando tudo indica que não há nada mais a se esperar, fica cada uma no seu canto, esperando a outra tomar atitude.
“Ela vai se cansar de esperar por você” “Mas ora! Será que ela não pensa que eu também posso me cansar de esperar por ela?”
Espera só mais um pouquinho.
Espera, que já já eu termino de escrever….