Não vejo graça em ser, se estar não é ao seu lado. Me dei conta disso hoje, quando dirigia de volta pra casa, enquanto as mais pesadas das lágrimas escorriam dos meus olhos, pelo simples fato de você não estar mais naquele carro comigo. E me perguntava “Por que é que você está chorando, meu deus?!”, e a resposta eram mais lágrimas. Escorriam lentamente, eu tentava fazê-las parar, não adiantava. Vim chorando durante todo o caminho. Ainda me perguntava o porquê de estar chorando, “ora, estamos felizes, nos gostamos, estamos dando muito certo”… ou é um severo desequilíbrio meu, ou a felicidade acarreta lágrimas.
Saudades de ontem à noite, você em meus braços, eu nos teus – éramos um só. Dois corpos formando uma unidade, a ponto de eu não saber dizer se o coração que eu sentia bater ali no meio era meu ou era seu. Saudades de quando minhas mãos deslizavam por entre as suas pernas, tímidas, corajosas. Saudades da tua pele macia acolhendo as minhas mãos fervorosas. Mãos que nunca vão se cansar de você, dedos que nunca deixarão de passear por entre os seus cabelos, seus seios e curvas, planícies e abismos.
E só pra você eu falo coisas de todos os tipos, sem medo, sem vergonha. E tenho certeza que nós vamos fazer o melhor sexo! O melhor café da manhã e a melhor morte. A melhor história de vida, a melhor trilha sonora. Quero ouvir os seus suspiros, quero me molhar.
E por que é que eu estava chorando, então?
Porque é uma merda, realmente, saber que sempre existe algo mais a ser dito, e sabe-se lá por que não deixá-lo sair de uma vez! Aí a gente enche, sente demais, na pele, na carne, até que explode. Tive vontade de me render às lágrimas, mas estas se renderam a mim num momento de “Peraí, porra!“
Arranca esse nó da tua garganta e não deixa ela se enroscar de novo. Grita quando for pra gritar; por acaso já se arrependeu por isso antes? Não, né? Eu sei que não. Não vale a pena se afogar em lágrimas. Se é pra morrer, que morra de orgasmo, overdose… Morra se acabando, se jogando. Por ela não é suficiente. Por ela, mas com ela.
É, linda. Você também deixou seu perfume no meu travesseiro. Deixou seu gosto na minha boca, seu prendedor de cabelo no meu punho, seu calor meio molhado nos meus dedos. Se deixou, se perdeu em mim. Achei graça quando me dei conta de que estava lendo mentalmente meus próprios textos com a sua voz. É você intensamente na minha idéia, é você por inteiro. É abdicar de mim pra sentir você primeiro.
Eu rastejo sim. Rastejo e sei que é bom. Não digo necessário sempre, mas sim, necessário, sempre. Muitos me julgam, põe à frente de qualquer coisa o orgulho, me rotulam idiota. Mas eu continuo rastejando e me deleitando, pois só quem rasteja tem ângulos privilegiados de sua musa. Digo, ver por debaixo dos panos mesmo. E ao bom rastejante sempre é dada uma promoção: ela vai te elevar, te botar no céu. E a amplitude pela qual você já se aventurou te dá liberdade de se colocar na posição ‘olho no olho’ nas horas sérias, em qualquer hora.
Ora, eu rastejo sim. Não só porque ela é o que é, mas porque eu mereço o melhor que a educação no chão pode me proporcionar. Nós vamos fazer o melhor sexo! A nossa história vai vingar. Somos um, somos dois. Somos um de dois. Um derramamento de idéias, sentimentos, sensações… ou líquidos mesmo. Um derrame, uma alucinação. Uma gota d’água, de sangue, um impulso. Um pulso, um estalo, um ai!, um orgasmo.

