De uma certa terça-feira.
Sentou no banco, chocada, num misto de graça e terror. O prazer das boas notícias anteriores abalado até a nulidade. Ficou ali sentada esperando uma alma boa, um confidente, um alguém, mas por fim achou melhor guardar para si. Levantou, foi-se. Agora ela me invoca; acha que meus 200 anos de senilidade podem lhe prestar algum favor. Insisto em lhe dizer que não há razão que apague por completo uma paixão. Não adianta dizer nada que faça sentido. Não creio que ela me escute muito bem nesse momento. Efeito do choque.
O motivo do choque? Um garoto, uma confissão, um desabafo… que acabou por abafar um dos segredos que ela queria que escapasse. Sorte a do garoto; sorte do coração dele.
Do resto da semana.
Ela engoliu seu segredinho e os muitos volts que a atormentaram naquela manhã. Digeriu todo o caos que se fez cosmos e agora se nutre do silêncio. Se olhou em terceira pessoa no espelho que reluz o dourado, rapidinho, não se demora nessas coisas! Tomou atitudes e esporros. Desaprendeu tudo que a minha senilidade já tinha ensinado. O garoto da terça-feira? Continua sendo também o da segunda, quarta, quinta e sexta; ela age com cuidado. Depois dessa, ela se vestiu em isolante e prometeu nunca mais se chocar com a ingenuidade de menininhos.

