Archive for July, 2008

De ralos e despedidas

Posted in Yet unsorted on July 16, 2008 by heaver

E eu me imaginei me despedindo dela… agora, quem era ela? Uma figura sem rosto, uma das minhas lindas, talvez; ou uma das que virão. O fato é que eu dizia “está passando”, e em tom triste, porque despedidas são por natureza tristes. Por mais que ela fosse me considerar depois, por mais que o vínculo continuasse como amizade tenra e forte, por mais que eu fosse encontrar outra mais linda ainda no meu caminho, por mais que isso fosse a saída de uma prisão; despedidas são tristes. É o amor escorrendo ralo abaixo em letras vermelhas de sangue; não tem como não doer, não chocar; não tem como ser somente uma despedida.
Ou será que tem?
As minhas experiências, ou inexperiências, me mandam calar a boca, não suscitar o questionamento, em respeito ao sangue que já escorreu. Ficamos no silêncio dos mortos. Não que eu ache que todos os mortos mereçam silêncio ou respeito. Mas, por agora, entro em consonância com essa voz que manda calar. Calemos. Vejamos. Sintamos.

Eu não quero continuar imaginando a nossa despedida. Não quero sequer saber de quem é que estou me despedindo nesse pensamento ingrato, marcado de derrotas. Não quero ver, não quero nada. Que minhas inexperiências se calem da mesma forma como fiz há pouco, não se transformem em inseguranças, não fechem as portas – ou as janelas – pelas quais minhas experiências gostam de ventilar. Que faça-se vento à consciência! Vento, ares, ares novos! Dá até ânimo pra limpar mancha de sangue…

Ah, mas o sangue pode ser tão bem aproveitado antes de tomar o rumo decadente do ralo, isso pode!

O nada que é tudo

Posted in Blueness, Redness on July 12, 2008 by heaver

E tem horas que a gente olha pra elas e não sente aqueles frios, calores, dores. Simplesmente não vem.
A tela em branco também não convida a nada. Os dedos batucam, cansam, dormem. Tentei me render às outras artes, mas fiquei em branco, no frio, na luz fria.
Tentei olhar pra elas de novo, pras duas criaturas. Uma diferente da outra, ambas lindas. Em uma vi convite, na outra vi repulsa, mas agora já não consigo distinguir em quem vi o que. Uma igualzinha à outra.
Mas está tudo tão branco hoje, e é difícil começar do zero. Talvez seja este o ponto em que as pessoas se perdem. Esquecem que o branco não é nada menos que a mistura de todas as cores – ou pelo menos foi isso que me disseram quando eu era criança; tenho certeza que já ouviste o mesmo. Verdade ou não, não importa. Se eu quiser que seja verdade, pronto, é. Nada mais natural e humano do que gostar de ser ludibriado. Ludíbrio ou não, passemos a encarar o branco como um mafuá de cores. Está tudo aí, diante dos meus olhos, tão misturado que eu não sei quem convida e quem repele.
Olhei pras duas de novo. Não passam da mesma coisa, talvez o mesmo pedaço de massa, um mais harmonioso do que o outro, e eu não sei qual é qual. Dentes amarelados de nicotina – até o mesmo cigarro elas fumam! – sendo que uma espera pra morder, a outra costuma já ir mordendo de cara. Mas os papéis continuam se invertendo, e eu, já cansada de dizer – não sei quem é quem. Confidente, amiga, amante, amor da vida. Tintas da mesma marca. Podíamos fazer obras de arte, mas hoje estamos em silêncio.
- Ora, não me venha falar em silêncio, agora! Não era de tinta que estava falando?!
Era, sim. Mas o que eu gosto é do interlúdio, de onde uma coisa vira outra, de onde minha voz é pincel encharcado de tinta. Porque eu seguro com os olhos, vejo com os ouvidos, mas com a boca… ah, eu mordo, mesmo. Mordo, mancho, arranco gritos. Gosto disso, das fronteiras que não são fronteiras, do embaçado tipo sonho, em que um sentido responde por outro.

Será que elas merecem que eu corra atrás delas e olhe mais uma vez?
Não, não, espera um pouco. A pergunta não devia ser essa. Aliás não devia nem haver pergunta. Respira fundo e tenta outra vez. Asas à reflexão, vamos lá.
Elas são tinta, não são? É com elas que se faz arte. Arranca elas do mafuá branco, joga elas lá de novo, com força, com carinho, como lhe for conveniente. Alma de artista quem tem é você. Alma, corpo… olhos, mãos, dedos! E tudo isso se suja na hora de criar. Vá lá, se prepara, porque pra gente que cria, não é novidade que há muito mais transpiração do que inspiração nesse processo.

Ridículas, as duas. Amáveis.

Violência verborrágica; e talvez um pouco precipitada. Talvez.

Posted in Redness on July 10, 2008 by heaver

“Eu não sei exatamente em que ponto as coisas começam a desandar…”

A frase até então estava fora do meu contexto, mas acabou por se encaixar perfeitamente nele.
As coisas desandam, e na minha cara aparece o inchaço, as consequências de ter em cada olho um coração, uma puta. Os sais minerais, a água e o sol para uma paixão. Uma? Futilidade com raízes profundas – sofro desse mal. E eu me queixo das outras, pelas quais as minhas putas oculares se entorpecem.
Daí, eu me digo em tom firme que não vale a pena tanto sacrifício pra nada. Fica ali no canto, na surdina, na miúda, só olhando, escutando. Se for vista, cumprimente. A longo prazo se provoca um acidente.
Não gosto de me sentir o único guardanapo disponível à mesa. Na primeira vez é usado com carinho, com vontade. Na segunda, “ih! não tem outro, vai esse mesmo”; na terceira é com força, apertando pra ver se ele dá conta de limpar só por limpar, se encharca, pesa, suja. Até que ninguém aguenta mais; nem o guardanapo, nem a porca que estava se utilizando dele. Não, comigo não. Simplesmente abaixar a cabeça e concordar não faz parte dos meus planos.

Chorar demais me dá ânsia de vômito. E eu queria que ela me interrompesse agora, pra eu dizer que estou no meio do meu ócio criativo, e ela pedir desculpas por estar interrompendo. Aí eu ia dizer com todas as letras que não hesitasse, porque ela é a fonte de inspiração. E ia acrescentar mais todas as letras pra dizer que a inspiração não é tão feliz assim. Não ia dizer que é de raiva, não. Mas ia deixar no ar um suspense, uma vontade de ver o que se cria com isso, com ela. E morreria aí. Outras letras pra dizer que não tenho vontade de compartilhar. Não!

Uma pontada, uma facada, uma gota de sangue, várias. Jovem, carne fresca, pronta pra sofrer. E é nessa idade mesmo que se sofre desse jeito. Então deixa. Se se arrepender do estrago todo, tem meus braços. O sorriso mau se transforma em carinho, abraço. Eu também sei reconhecer, perdoar, recompor, rejuntar…

Comi tantos daqueles docinhos chamados “Dois Amores”, e agora veja só…

Mas quando menos se espera a gente provoca um acidente. Invoca até Nossa Senhora das Graças, ou qualquer outra delas, tanto faz, é a mesma. Até a santidade é esquizofrênica, imagine as tentações ambulantes neste mundo. Pelo menos a santa teve a decência de deixar, por sabe-se lá qual forma, sabermos que é todas e uma só.
E minhas ironias jamais são compreendidas. Talvez a santa entenda, quem sabe? Pena que não me responde. Podia aparecer, em sonho que fosse, pra gente ir tomar um café, um licor, botar a conversa em dia. Mas a santa não é boba, talvez esteja de férias, e sabe muito bem (se escuta todos os meus pedidos, como se supõe que escute) que vou lhe dar trabalho. Ah, minha santa…

Esta noite minhas reticências não são de censura. Talvez sejam de precipitações se transformando em reflexões. Não sei ao certo. Quando os pensamentos são cenas, demora-se a convertê-los em palavras ou sons.

Já chorei, as lágrimas já evaporaram, já idealizei a próxima conversa. Já.
Vamos à frieza da cama, que por mais fria que tenha estado, tem me acolhido muito bem.

A mais ingênua de todas.

Posted in Redness on July 7, 2008 by heaver

Não, isto não é um julgamento de valor. Não culpem os espelhos pelas imagens que eles refletem.

Tive outras lindas no caminho, por isso não intitulo o post de “A mais linda de todas.”, não seria justo. A beleza me vem aos olhos e corre. Às vezes custa a aparecer, e quando aparece não sai mais. Ou até sai, em alguns casos. É de fato, como todas as outras as questões, uma questão de perspectiva. “A mais ingênua de todas” talvez também não seja um título justo. Ocorre-me agora que a beleza imediata costuma me correr aos olhos velando um mundo de ingenuidade e certezas. Certezas para suas portadoras; como todas as outras questões, uma questão de perspectiva.
Que seja um título injusto, então. Reflete bem as injustiças cometidas por esta jovem sobre quem escrevo. Suas ingenuidades, também conhecidas como certezas, andam sufocando uns e outros (ou deveria eu dizer ‘umas e outras’?) por aí.
Seus pensamentos são superficiais como as roupas que veste. Bonitas, extravagantes, inúteis, baratas e sem conteúdo. Não lhes tiro a graça – das roupas e da menina – não digo que não haja conteúdo em algum nível. Mas parece-me sinceramente que há que se cavar, remexer, rejuntar…
É dessas que se prende a números. Um ano, dez mêses. Fulana de tal. Listas. Parece-me competir consigo mesma. Ou seria medo? Medo de piscina funda. Parece.
Há vezes em que arrependo-me de não ter questionado, discordado em público, sorrido um sorriso parabático de canto de boca. Fria e calculista nas comparações mais fúteis sobre as quais tenho notícia. Quem é que neste mundo já se apaixonou por meio de cálculos?
Comparações e mais comparações, físicas, astrais, numéricas. Como quem acredita em determinismo, como quem nem sabe o que é fazer poesia.
Tenho vontade de lhe mostrar à força como o mundo não é linear, e o que pode parecer um nada destruidor pode ser de fato um tudo criador. E que bombons às vezes são melhores do que tortas inteiras. E que se render pode ser sinônimo de dar cheque-mate. Peões dão cheque-mate.
O ser humano não se calcula. Comparar então, pra quê? Se o que apimenta as coisas é exatamente o incomparável. Mas quantos rótulos! Mas quanta asfixia!

Ela me queimou, me acordou, me entorpeceu, mas e agora? É o lado bom das coisas ameaçando escorrer por entre os nossos dedos. Enfim, e agora?
Agora ela faz planos. Se rotula (talvez até sem perceber), coloca rédeas em si mesma, envolve os amigos, rasga tudo. Como quem brinca de boneca, cansa, e não quer arrumar os brinquedos depois. Faz meras besteirinhas, esquece, liga o “foda-se”, pé ante pé, mas de que servem pés para dar passos certos, se é com as mãos, a boca, o resto todo, o todo, que os estragos são feitos?

A prova viva, se matando, de que as aparências se encarregam do resto neste mundo.
Tem pose, linda, não deve ser tarde ainda pra considerar a pose. Já afirmei isto em algum canto deste blog. Mas que agora considere também mergulhar fundo, se é que tens fôlego. Considere descer do salto, ver de baixo, subir na escada, nos meus ombros, ver de cima. Considere as vozes. Considere também meus olhos verdes.

Nem parece que a beijei ontem à noite. Nem parece preocupação; mas preocupação de fato não sei se é. Me importo, até certo ponto.

Sei que no fundo deste pote de imbecilidades bonitinhas há algo que preste, algo que sinta, algum coração que bata, e é isso que me motiva a continuar escrevendo, olhando, e até, quem sabe, beijando. Algo que preste. Tomou meus olhos, é fato. E já que estes se localizam na cabeça, emendemo-nos por dizer que a tomou também. Percebe-se que me inspira vontades diversas.
Bem ou mal, como todas as outras questões, uma questão de perspectiva.

Hole digger

Posted in Blueness on July 7, 2008 by heaver

From the one who’s far beyond and deep in; deep down.

She asked in a subtle hopeful voice, I answered ‘no’ so calmly and softly that I might have inspired some hope. Hope is what I have, that’s for sure.
Hope to hope it’ll all someday come back and we’ll finally give in to it, both of us. No need for torpifyers. Just the two of us, pure, soft, calm and truthful.
But it’s all wild for now.
Months ago, the strongest thing I had ever felt. Right now, I just don’t know.
She seems to know better, or at least her words shine brighter. She’s brave after all. Probably learning from the loss, the torpifying distance, the little accident-on-purpose paper cuts I caused on her.
I’m sorry but you’re just too good. You’re too good and you’re true.
Definitely somebody to talk to, a good listener, a different perspective, a source of good advice. And I’m stabbing my own back when I stab her. It’s my tears she’s crying.
I’ve been drinking from the reddest venom, it’s pouring from my lips. My crime, my punishment. Her punishment as well. Is this what I can share?
Unconsciously trying to fake my coldness, I might have given her the taste of the most painful hope. Is this addiction? It moves within myself, almost like it’s gotta be done again. She’s too good and she’s true.
She might have been crying in that laughter, consciously trying to fake sadness. It’s her tears I’m crying.

Denying.


My world, I dig a hole in you. But if you’re my world, you’re my hole. The deeper I come through, the deeper I’m in you. I’m sorry that I hurt, I’m sorry that I tempt. But it’s just beyond and deeper; I’ll love you again.

Esperança? Certeza? Coisas não tão futuras assim…

Posted in Golden Mirror, Redness on July 6, 2008 by heaver

Word Up!

Se joga, garota! Se joga, que as estrelas estão do teu lado. As cores, os tons diversos, tudo a seu favor. Lê tudo de novo, as tuas palavras, as palavras alheias. Escuta quem tá longe, e escuta quem tá dentro de você. Se joga! Puxa pela mão, leva pro canto, pro meio, pro nada que é tudo. Lê tudo que só pode ser lido nos olhos. Provoca. Pergunta, responde, extorque, devolve. Aproveita, porque você sabe que pode. Ah, se pode. Além de ter créditos (não negue que já se aproveitaram de ti), mentiras não são contadas a esmo, nem palavras são cuspidas para nada. O interesse move tudo, não move? Que mova corpos hoje!

E o brilho naqueles olhos? E a má educação? E o mau comportamento?

Vai, e vá de cabeça mesmo! Já teve motivo de arrependimento?

São tantas coisas, mas nada que eu permita esvair-te-lhe da consciência.

E lembre-se que surpresas agradáveis são de fato agradáveis.

Diving in…

Porque eu quero te tomar pelas mãos e te segurar com os olhos. Olhos, que finalmente são a janela, a porta, a página. Creio que já não esteja mais em branco, e é isso que eu quero ler. Quero ler a cor, a intensidade, até a marca da tinta. Deixa eu te olhar. Deixa, que teus olhos te explicam. Espero que me expliquem, também, como é que se fica mestre nessa arte de entorpecer o dentro dos outros pelo próprio fora. Como é que a forma determina o tal conteúdo? Como eu faço pra beber dele?

Como é que eu te digo que eu quero mais, e que seja a feita a vossa vontade? Como é que eu te digo que estou sem cinto-de-segurança e estou de fato querendo bater? Como é que eu pergunto se eu posso? Como é que eu me faço poder?

É no te tomar pela mão, segurar com os olhos, dizer…?

Aparece, linda, que eu quero te ver.

Súplicas diversificadas, mas súplicas, todas.

Posted in Redness on July 1, 2008 by heaver

Esses vínculos invisíveis são interessantes. Um empuxo estranho resolvido num abraço, mas um abraço com gostinho de ‘quero mais’. Abraço quase que censurado, não evoluído por causa de presenças alheias, os olhos, o peso dos olhares.
Águas turvas, gente estranha, fumaça alheia… mas dois silêncios em particular exprimiam tudo. Pra que palavras? Observações silenciosas resolveram, e bem, que era melhor tomar-lhes o lugar esta manhã.
O peso dos olhares alheios foi inversamente proporcional à leveza dos olhares empuxados, magnetizados, consonantes…. dissonando de todo o resto num momento pequeno, porém sublime. Um olhar penetrante diante de um broto de sorriso espontâneo. Pequenos encostõeszinhos. Ah, que manhã! E não estava ainda nem terminada, as mãos ainda não haviam se achado; mas sim, acharam-se finalmente. Um dedo mais teimoso ousou segurar outro dedo, e não só conseguiu mais sorrisos, como planos de um café na manhã seguinte.
Dêem valor às mãos!

Ouvi coisa nova de Alanis Morissette hoje, gosto muito dela. “Such a difference between who I am and who you see“. Falou por mim, linda. Falou por mim e me pôs a escrever aqui e agora. Parabéns para mim! Diferenças que podiam passar por verdades, eu transformei em convite, se é que convite é uma palavra apropriada. Convite, curiosidade, porta aberta. Ou janela aberta, mais emocionante. Enfim, diferenças que foram finalmente reconhecidas. Parabéns pra mim. Diferenças que já renderam beijos, abraços e manhãs aprazíveis, sem se falar numa específica noite, com um específico nascer do sol.
Dêem valor às diferenças!

Grita-me a consciência para não ter medo de sofrer a ação dos impulsos. É tarefa para corajosos, necessita até de ensaio, preparação. Mas que venha!

Um café, uma chance. A última certa por agora.
Que me chute a consciência, berre, esperneie, deixe marcas, mas que me faça sofrer a ação dos impulsos. Vários que são. “Loucuras de final de período” seria um bom título para a história que eu quero fazer. História com H. Então, consciência, voz de Don Juan, venha sem piedade. Nos hematomas depois a gente passa pomada, põe gelo…
Que os vínculos invisíveis se tornem atentados ao pudor, que nós acabemos na delegacia se for preciso. Mas nem é preciso tanto assim. Não me deixe ir embora antes de assegurar a próxima, a próxima vez em que eu vou ter que me preparar, ensaiar, estremecer, sorrir…

Que eu me atire.