Archive for June, 2008

Desacordada…

Posted in Golden Mirror on June 30, 2008 by heaver

Em meio a todos esses sons ela ainda tem dúvidas sobre si mesma. Como pode? Não é tão óbvio que nasceu para viver disso tudo? Não há quem melhor exprima o que grita de dentro. Cordas, teclas, garganta, respiração. Os silêncios que mediam isso tudo não podiam ser melhor aproveitados. E ela ainda tem dúvidas. Talvez esteja se achando através de nós. Será? Mas nós, aqui e agora, não podemos estar exercendo pressão e causando dúvida maior ainda na cabecinha da pequena? Não, não, ela sabe nos aproveitar! Aproveita com os dedos, com as mãos, joga tudo num abismo e espera que alguma outra de nós grite-lhe a coragem que lhe falta para mostrar o nosso resultado aos outros. Grite? Sim, não há verbo melhor. São tudo sons, barulhos. Até nós, veja bem como ela nos denominou mais ali embaixo? É, concordo, mas olhe o título de tudo e todos ali em cima; que tens a dizer sobre a escolha do adjetivo? É o abismo. Pra uma pessoa que se exprime pelos sons, que há de ser o silêncio senão o abismo. Discordo! No abismo tudo cai a ponto de perdermos de vista; no silêncio não. O silêncio só é silêncio até que uma de nós faça ela dar um berro. Um berro universal, né, porque as línguas…. Línguas, sons, estou dizendo, é tudo som! Como ela pode ter dúvidas sobre si? Não entendo. São vocês, nós, que complicamos a cabeça dela, meu deus. Somos nós, somos muitas, somos discordantes, somos dissonantes, porém somos.

As duas

Posted in Golden Mirror, Redness on June 29, 2008 by heaver

Há dessas que morrem de amores. Em silêncio, ou em meio aos barulhos daqueles lugares… aqueles, que deixam as roupas e o cabelo com cheiro esquisito. O fato é que morrem de amores, cá ou lá. Há dessas que criam uma vida nova, uma página em branco, um tudo cheio de nada, só para manchar com os suores da outra, os batons da outra. Há dessas que adoram fingir romances, mesmo que só na própria mente, mas fingem. Não lhes tiro a graça. Fingimento é criação. Criadoras, deusas. Fiéis de si mesmas. Mas traem a si próprias, traem umas as outras, traem, sufocam, apagam. Engolem. Palavras engolidas, emudecidas. Sentimentos escorridos por entre as próprias pernas, caídos do útero. Embriões. Podiam ter crescido, tornado-se grandes homens, bons partidos. Amores.
Há dessas que tomam choques da outra, ou embriagam-se dela. Dela, ou do rum guardado no fundo de alguma gaveta. Embriagam-se, enfim, umas pelas outras. Embriagam-se para gritar. Chorar e sorrir, com e pela outra. Há dessas que dão abraços sem motivo, se é que existem abraços sem motivo nesta terra. Abraçam-se enfim, e os sentimentos passam por osmose de uma para a outra. O fogo, o calor e o frio. Faz-se o frio para que haja motivo para um grito. Um café, um cigarro. A outra preferiria tomar-lhe pela mão, mas vê a graça do café e do cigarro dela. Meninices, sorrisos, gritos mudos. Meninices em meio a coisas de mulher crescida. Violência, suor, sexo. Há dessas que esperam passivamente que as coisas se concretizem, mas não – não é dessas que escrevo agora. Escrevo sim das outras. Que vêem-se a si mesmas, uma na outra. Rabiscam, digitam, criam. Uma pela outra. Falam, sufocam, mas têm plena certeza de que vão gritar pra fora, quando lhes for conveniente, ou à beira de um ataque. Um impulso. Provocadoras de impulsos. Farsantes, criadoras. Deusas.

Posted in Redness on June 24, 2008 by heaver

…Uma mulher. Um homem, outro homem. Outra mulher. Um daqueles homens. Ponto. Parágrafo. Você.

Let’s disarm eachother

Posted in Redness on June 23, 2008 by heaver

Infinite times I tried to type, infinite frustrated forms of expression. Infinite times I’ve looked, infinite times I’ve smiled. At you. For you.

I might be making a fool out of myself, I might be getting down on my knees before you, I might sound like a kid with much too high hopes. Have I fallen below the line?
I’d dare you to reveal the reasons for your questions. What does it matter if I have intentions? Who am I to come so swiftly and make all of that harm?
But what if I’m falling below the line?

I’d dare you to be impulsive, join me in the winds of danger – it’s all new, it might be hard and even harm, but I swear to you, you are going to fly.
Words don’t taste good at all, don’t swallow them down, no, just don’t.
Do you need me to be drunk? I wish you knew you do have the power of torpifying me. You also have the gun for burning me back into this world, not only to a state of awareness, but to a state of freedom. Trust me, I do like that kind of pain.
Shoot me.
Grasp me.
You know how to do it.
Burn me.
Burn me.
Burn me.
Burn me.

Come join me down here, below the line. It feels good.
Ah, se você visse os sorrisos bobos que brotaram no meu rosto ao longo deste dia. Na verdade a partir da noite, daquela noite. Queria eu saber a razão das tuas perguntas. Queria eu ficar aqui no escuro contigo, esperar a poeira baixar, o dia clarear. Sorrir. Contigo.

She’s actually not the first one who asks me what I’m laughing at. Why don’t they ever get laughter is different from smiling? Mocking is different from being happy. I’ve always needed to explain.

De como as vozes mudam

Posted in Redness on June 20, 2008 by heaver

Olha ela, como é engraçada! E essa graça toda quase me faz chorar.
De verdade. Eu e esse coração de século XIX… dói, e dói bem mais do que era pra doer.
Agora estou eu aqui, online, volto logo. E ela? Volta? Sozinha?
Escreve coisas que eu não sei a quem relacionar; faz gestos que eu não tenho certeza de como interpretar; passa pra lá e pra cá, com aquela pose de quem não vai nunca desabar.
E desabafar? Será que precisa? Deve precisar. Eu preciso e o faço assim, aqui mesmo. Dói, amigo, dói. Mas vai passar.
Há ainda em mim aquela voz que grita “Então você que se despersonalize!”. Só eu conheço essa voz. Outros deviam conhecer também, não a minha, mas a deles próprios. É uma voz amiga, apesar de grossa.
Meus amigos são grossos.
Mas e ela? Não quero amizades com ela, não. Quero o fogo. Ela diz que gosta de pessoas que falam mesmo, não é? Eu estou falando aqui. Você está lendo, ela não. Ou talvez um dia. E não tome esse dia como tarde demais, se estiver lendo, linda. Tenho certeza de que tua pose de quem não vai nunca desabar continua aí, continuará por longos tempos. Tudo ainda será válido. A verdadeira modernidade não caduca. Se tiver oportunidade de olhar nos meus olhos, faça-o.
Mas e agora? Agora agora, presente.”I can always say it’s gonna be better tomorrow”. Mas agora não é tomorrow.

Pronto, meti na cabeça que suas palavras desse dia vinte de junho tem como base de inspiração a minha pessoa. Pronto. Faz sentido, ou estaria eu fazendo relações forçadas?
Não, não estaria, não. Sol, doces, desencanto. No desencanto foi ela que errou. Só há encanto. Da onde tiraste desencanto, linda? Será que é pra mim mesmo, então? Tarde demais. Pra isso sim já é tarde demais; já meti na cabeça que é pra mim. Ponto.

Vários segredos por aqui, segredos do tipo que a gente quer por que quer que sejam descobertos. Mas você, caro leitor, não vá ler isso como um blog qualquer. Tome consciência das várias vozes aqui presentes. Uma delas já gritou ali em cima. As outras duas ou três que continuam a escrever também precisam de atenção detalhada. Digo, se for descobrir meus segredos, descubra direito ou simplesmente não os dê por descobertos, porque de fato não estarão. Não é só ler. Não é só ler e interpretar como bem achar que se deve. Já descobriste meu princípio de composição? Não é tão simples assim. Não vá me dar indiretas de que achou um blog secreto meu. Achou, e daí? Só achar não vale absolutamente nada. Se valesse, tinha eu própria lhe dado o link. E já adianto-lhe que há ainda outras coisas a se achar. Sim, pela internet mesmo. Umas, poucas, tu não tens nem condições de achar, mas outras… estão soltinhas por aí. Gostas de achar coisas? Então vá lá, feche essa janela e dedique-te à procura. Desejo-lhe paciência. Aos outros que restaram nesta janela, continuemos com ela. A linda.

Linda que só. Meu deus. A cada dia crio mais e mais disposição para cometer loucuras por ela. Apesar desses baixos que eu encontro por aí. Mas baixos, a gente só sabe que são baixos porque temos altos para comparar. Seriam neutros, vazios, nulos há duas semanas atrás, por exemplo. Ela é linda e linda até nas criancices, por exemplo, a de fazer coisas só por aparência. Criancice que predomina mais em adultos do que nas próprias crianças, mas não perde o caráter de criancice. Linda, e gostosa. Já disse, com essas palavras. Gostosa. Muito. Linda.
Sorriso bobo, quase imbecil. Eu traguei da tua droga e quero mais. Vício? Ah, mas os vícios são poetas. Os poetas, criadores. Finjamos a realidade! Mas com ela presente! Linda, gostosa.
Espero que tenha manchado os seus lençóis, linda. Mancha forte, bonita, daquelas que a gente não quer tirar, apesar de serem manchas. Espero que tenha te estragado. Espero que tu venhas afim de mais um trago meu. Senão… loucuras. Loucuras por você.

Cigarettes and…

Posted in Redness on June 15, 2008 by heaver

- Tem que puxar…
- Puxar com vontade.
- Isso, com vontade.
- Vontade muita, vontade média?
- Vontade… média, média.
- Vontade natural.

I didn’t quite know how that worked, but it always felt so tempting. I can’t recall which one of us got it all started. It doesn’t really matter. I just hope it hasn’t yet ended.

You’re the sense of touch in person
It might be quite difficult to look into your eyes – howcome they’re never more than 20% open? – but it’s not hard to feel you anywhere.

I don’t want to see you today. No, I don’t want to breed a reality that doesn’t exist, either. Today I just want to find the meaning for the reality we built together amongst the smell of cigarettes and sweat.
I don’t think you realized you burnt me a couple of times, I don’t think you realized what you were doing to me at all. Thanks for making me just… not care.

You burnt me, but I like the pain it takes to set myself free.

I want this smell forever to linger…

About a week to stain the blank.

Posted in Redness on June 7, 2008 by heaver

Saturday. It could easily be Sunday, though. It’s in the air. It’s still red in the air as well. And cold.

Katatonia and an empty MSN. SMS beeps prevent this pair of eyes from fully closing. Just a statement, not a complaint. These things go well together, I think.

The redness in the air slowly gains its materializations – the choice of font colors, a detail in the shoes… New shoes, by the way! A pair of shoes, two pairs of pants and a coat, all new. All strategically new, all redness-motivated new.

Anyway, what’s the big bang to get out of this?

I might consider heading to bed at 17:45 in the afternoon. Waking up will feel like a blank page, on which a whole new story will leave stains. Red and cold.

From Katatonia to Justin Timberlake. Not quite the best musical jump in this case, but there’s yet a lot to jump. Until we reach Track 3.

You’re reading in English, you get me when I say redness can easily relate to coldness. Assuming you’re located at a northernmost side of this planet, you do know your whiteness turns to redness when those cold-as-fuck-winds are blowing on your face.

Personally, I think the balance of redness and coldness is tempting. When it comes to people, sexy. When it comes to attitude, stylish. Let’s stick to the people now, or the person. Or let’s not, because there’s not much I can say. You’d just have to look, see for yourself. Or learn Portuguese – I’ve said a lot in Portuguese. But language knowledge isn’t all it takes to understand this sort of phenomena.

17:55, I’ll head to bed.

Posted in Redness on June 7, 2008 by heaver

Sexta-feira, noite. Claro que aqui ela não está.

Talvez num desses lugares que deixam a nossa roupa cheirando a fumaça e coisas esquisitas. O cabelo também.

E as vírgulas? Vai falar das vírgulas? Devia. “Gosto muito da maneira como você emprega as vírgulas.”
Isso, mesmo parecendo pomposo assim na tela, falado do teu jeito soa muito bem. E é um puta dum elogio. Você sabe que sabe elogiar.

É, sei mesmo.

Crê em mim, leitor desconhecido: falar do jeito como vírgulas são postas num texto pode gerar sorrisos de menina boba por aí. Tão boba que chega a ser idiota.

Cheguei a escrever algumas palavras sobre a questão “ser idiota”, mas optei por apagá-las. Sobre a idiotice alheia escrevo outra hora. Ou pelo menos aqui fica registrada a intenção.

Sexta-feira, noite. Claro que ela não está aqui. Meu sono, por outro lado, está.

Dois de Junho

Posted in Redness on June 7, 2008 by heaver

Linda, teu silêncio me faz refletir. Uma coisa na tela, outra melhor ainda andando lá nos corredores. Melhor?
Melhor, sim. As diferenças que realçam o de lá em relação ao daqui me fazem crer que o de lá é mais autêntico. Mais mordível. Mais vermelho.
Vermelho sangue. Porém doce. E não quente, não, quente não! Geladinho. Aquele geladinho, que dói quando a gente encosta, mas que a gente é tentado a encostar várias e várias vezes.

Seu silêncio é diferente do silêncio dela, que me afligia. Afligia, aflige e afligirá. O seu silêncio, sei, será quebrado, e com palavras geladinhas daquelas que dói quando a gente lê, mas a dor é das
melhores, e a gente é tentado a ler e reler várias vezes. Das melhores? Das melhores, sim.
Das dores, as melhores; das palavras também – digo, as escritas. As faladas não sei. Espero que não sejam tão boas quanto as escritas. Isso mesmo, espero que sejam, vá lá, boazinhas. Não vou me sentir
culpada ou sem motivo quando resolver…

As reticências aí em cima foram de censura. Por agora. E por mais que não falar deixe as coisas muito mais óbvias. Dane-se. Por agora os pratos não estão tão limpos assim.

Mas você vem, linda, você vem e com você vem a fumaça. Você vem linda – sem vírgula agora – e com você vão meus olhos. O vai-e-vem, o olha-não olha, desvia daqui, desvia dali, maldita criatura que se
meteu na minha frente agora, tudo isso – nossa, eu tava com sono e acordei completamente – tudo isso me faz refletir, e lembrar, e relembrar. E não acreditar nisso de agora.
E sorrir porque é verdade assim mesmo. Ora, veja só! Como foi mesmo que você disse que minha cara era?

Eu queria um vidro pra gente embaçar e escrever com a ponta do dedo. O vidro geladinho, que dá aquela dorzinha quando a gente encosta, mas é bom e a gente termina de encostar. Encosta logo a bochecha
e escreve com a língua, ora! Embaça antes, claro; embaça bem. Bafo vermelho, de cerejas e cigarro.

E quem sabe o geladinho lá de cima vire quente, hein? Mas vamos com calma. Não é sede ao pote, é curiosidade. E essas suas palavras bonitinhas demais talvez estejam dando um quê de tentação à coisa toda.
E essas palavras adicionais que você cospe sem a mínima necessidade acabam virando combustível pra minha curiosidade, e a combustão… não quero falar dela agora.

E o silêncio visual brevemente interrompido por um “boa noite” já se transformou em barulhada mental. Ê lerê…

Posted in Redness on June 7, 2008 by heaver

She claims not to know which mazes she had lost herself in; I claim to have lost myself somewhere very specific.
Now I get this feeling we’re both lying.